quinta-feira, 31 de maio de 2012

Mafia 2 - Análise

Esta é a análise de Mafia 2, lançado pela 2K Games em 2010 para o Playstation 3Xbox 360 e PC.

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Introdução

Mafia: The City of Lost Heaven foi um excelente jogo Open-World Action para os padrões de 2002. Trouxe ao mundo um belíssimo sandbox, bem mais realista e menos apelativo do que o icônico Grand Theft Auto, e isso lhe rendeu muito sucesso. Em 2010, a 2K Games lançou a continuação, com a mesma proposta: direcionar o gênero sandbox a um mundo mais alternativo, mais realista e menos apelativo. Trata-se de um contrassenso em relação à tendência atual, mas é essa a ideia da desenvolvedora. Será que ela conseguiu convencer o público com essa proposta? É o que veremos nessa análise.

MAFIA 2


Informações técnicas

Publicado por: 2K Games
Desenvolvido por: 2K Czech
Gênero: Open-World Action
Diretor: Daniel Vávra
Plataforma: Playstation 3, Xbox 360 e PC
Data de lançamento: 24 de agosto de 2010
Faixa etária: Mature

Trilha-sonora da análise

Enquanto lê a nossa análise, que tal escutar o áudio que separamos mais abaixo?


Música tema do jogo, composta por Matus Siroky e tocada pela Orquestra Filarmônica de Praga.

Sobre a história (contém spoilers)

Como o nome deve deixar bem claro, a história retrata diversos fatos da máfia. Não se trata da máfia italiana propriamente dita, e sim de uma máfia italiana realizada por seus imigrantes diretos nos Estados Unidos. E, caso esteja se perguntando, a história desse jogo não tem relações com a história do jogo anterior, de modo que pode jogar esse jogo mesmo se não tiver jogado o jogo anterior. Apesar de não ser uma sequência direta, a história se passa alguns poucos anos após, e possui alguns elementos presentes nos dois jogos, como algumas famílias e nomes que são pronunciados.

A história do jogo gira em torno de um único protagonista: Vito Scaletta.

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Seu nome completo é Vittorio Antonio Scaletta. Nascido em San Martino, um pequeno vilarejo situado a nordeste da Sicília, na Itália, em uma família muito pobre. Por volta da década de 30, para fugir de uma Itália que estava passando por um regime totalitário, uma série crise econômica e muitas fortes decorrentes da guerra, a família resolve vir para os Estados Unidos. Afinal, os EUA na época eram um país muito avançado, livre, com muitas projeções econômicas (apesar de quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque em 1929) e de muitas oportunidades de emprego. Não era à toa que recebiam imigrantes de todas as localidades do mundo.

Chegando aos Estados Unidos, eles passam a morar na cidade fictícia de Empire Bay. Empire Bay foi inspirada em uma fusão de cidades da costa leste americana, como Nova Iorque, Boston, Los Angeles, São Francisco ou Chicago. Vito logo faz amizades, na escola, com uma pessoa que viria a se tornar seu melhor amigo: Joe Barbaro.

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Joe Barbaro era um bully na escola. Popular e metido a valentão, ele criou uma pequena gangue na escola. Vito logo simpatizou com ele, e ambos se tornaram muito amigos, quase inseparáveis. A habilidade de Joe para liderar grupos, desrespeitar leis e criar desavenças já vem desde essa época.

Ambos cresceram juntos e se tornaram também parceiros de crime. Em 1943, Vito e Joe tentaram assaltar uma joalheria. A fuga não foi tão boa quanto deveria ter sido, e Vito acabou sendo preso pela polícia, enquanto Joe conseguiu escapar com os diamantes. Como Vito era imigrante de sicilianos e falava italiano, a polícia propôs a Vito uma escolha: ou ir para a cadeia americana ou servir ao exército americano em campanhas pela Itália. É claro que ele aceitou servir ao exército.

Vito serve a um agrupamento de paraquedistas em uma missão contra o regime fascista tentando liberar a Sicília da invasão fascista liderada por Benito Mussolini. Vito levou um tiro quase foi morto naquela missão, e só foi salvo por causa de um homem: Calogero Vizzini.

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Conhecido como Don Calo, ele foi uma figura histórica importantíssima na época. Trata-se de um personagem real: um dos mais maiores e mais influentes chefes da máfia que a Itália já teve. Mafioso nato, esse homem simplesmente mandava e desmandava no país. Ele se encontrava acima da hierarquia comum dos mafiosos mais simples. Ele não era apenas o "Don" de uma máfia em específico, ele era o "Don dos Dons", uma espécie de chefe dos chefes, aquele que manda em todos os demais, sem interferir propriamente dito nas brigas entre as máfias, porém sendo respeitado por todas elas. Não é pouca coisa não, viu?

Após Don Calo parar a invasão da Itália, Vito ficou muito ferido com o tiro que recebeu. Após ser tratado, ele recebeu a oportunidade de vir aos EUA rever a família por um mês. Chegando aos Estados Unidos, Vito revê sua família.

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Esta é Maria Scaletta, típica mãe de famílias italianas, é extremamente amável. Mãe de Vito, ela criou os filhos sozinha após a morte de Antônio, pai de Vito. Sempre criou seus filhos com muita garra e força, e os guiou ao caminho do bem da melhor forma que pôde. É do tipo que morreria se descobrisse que seus filhos fazem algo de errado.

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Esta é Francesca Scaletta, a bela irmã de Vito. Trata-se de sua irmã mais velha, uma mulher apaixonante e respeitosa às leis. Ela preferiria perder a vida a ver injustiças no mundo, e a compactuar com o crime. Ama muito sua família, como todos os bons italianos, e é uma típica mulher da época: singela e meiga, ao mesmo tempo em que submissa e ingênua.

Vito também vai rever seu velho amigo, Joe. Joe fica muito feliz de poder vê-lo, e lhe faz uma surpresa: ele leva Vito até um velho amigo, chamado Giuseppe Palminteri.

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Giuseppe é um contraventor do game. Grande amigo de Joe, ele vende diversos artigos ilegais, como chaves-mestra para arrobamento de cofres, entre outras coisas. Seus crimes envolvem ainda formação de quadrilha, contrabando de itens e falsificação. Joe lhe pede que prepare alguns papéis para que Vito não precise mais voltar ao exército, e ele de quebra ainda ensina Vito a arrombar cofres.

Mas nem tudo vai bem para Vito. Ele descobre que o pai dele deixou uma dívida de 2.000 dólares com a máfia da cidade, e agora o agiota está cobrando da família na base da violência. Vito descobre isso a tempo e tenta afastar os agiotas de cima de sua família, mas uma coisa é clara: ele precisa levantar 2.000 dólares. E rápido. A urgência não lhe permite tentar levantar essa grana sozinho: ele precisa recorrer a métodos mais rápidos e, digamos... Menos ortodoxos.

É claro que Joe não iria deixar Vito na mão. Ele usa de sua influência para mostrar a Vito a chance de crescer na vida em Empire Bay: a máfia. Usando seus contatos, aos poucos ele vai apresentando Vito às pessoas certas. Primeiramente, eles fazem negócio com Mike Bruski.

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Bruski não é necessariamente mafioso: ele é um dono de ferro-velho, que aceita "contribuições" de carros roubados para manter suas peças em dia. Sendo assim, Vito começa a sua carreira de contraventor por baixo, roubando carros e revendendo para Bruski a preços módicos.

Depois, Vito começa a querer trabalhos mais rentáveis do que esse, e Joe lhe apresenta a um homem mais importante, um tal de Federico Pappalardo.

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Conhecido como Derek, esse homem é o líder de um sindicato dos portuários da cidade. Homem influente, ele gosta de mandar e de ver homens fazer serviços sujos por ele. Ele não é um líder lá muito bom, mas consegue se dar bem na vida graças aos seus contatos fortes. Ele é membro da família de mafiosos Vinci, uma das mais poderosas de Empire Bay. Dentro da hierarquia, ele é um "capo", ou seja, capitão em italiano, o que significa que possui boas vistas em relação ao chefão, que é chamado de Don, e que possui muitos homens para protegê-lo e seguir suas ordens.

Vito trabalha para Derek, inicialmente apenas como carregador de caixas, então, ao saber que Vito sabe lutar bem, decide fazer dele um de seus "cobradores de taxas". Ele trabalha bem e é agraciado no local, mas não ganha tanto quanto gostaria. Joe logo o apresenta a outro personagem: Henry Tomasino.

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Henry é um "soldato", como é chamado soldado em italiano, da família Clemente. Um grau abaixo de capo, isso quer dizer que ele obedece especificamente a um capo, mas não que seja necessariamente um soldadinho. Ele não é a pessoa que "bota a cara" nas falcatruas, e sim apenas um representante, alguém que recruta novos membros para a família, ou que contrata pessoas que necessitam de dinheiro para fazer pequenos assaltos e crimes, angariando fundos para a família.

Henry se interessa nas habilidades de Vito, e o contrata para realizar algumas missões de valor considerável, como assalto de papéis de crédito de gasolina, e também assalto de diamantes em um shopping no centro da cidade. Foi justamente nessa missão que Vito e Joe conhecem um outro personagem interessante:

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Este é Brian O'Neill, o violento líder de um grupo de contra-feitores da cidade. Ele lidera um popular grupo de irlandeses, que conseguiu alguma notoriedade por ser violento e sem qualquer respeito pela lei. Ele não pertence a nenhuma família, mas faz dinheiro assaltando mercados e joalherias.

Acontece que Vito e Brian tentaram assaltar a mesma joalheria ao mesmo tempo, e isso só pode dar problema. Quando a polícia chega, é um Deus nos acuda. Vito e Joe conseguem escapar desta vez, mas Brian é preso, não sem antes jurar vingança por Vito ter lhe prejudicado.

Vito faz mais alguns servicinhos sujos, como por exemplo assassinar algumas pessoas que não estavam pagando as taxas necessárias para a família Clemente. Em uma missão para obrigar um homem chamado Sidney Pen, dono de uma destilaria de uísque da cidade, Henry acaba sendo baleado. Eles conseguem fugir da destilaria em chamas, e levam Henry para ser tratado pelo médico da máfia, um homem chamado Andreas Karafantis:

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Mais conhecido como El Greco, esse grego é o médico oficial da família Clemente. Como as famílias estão sempre em meio a tiroteios, ataques, emboscadas e assassinatos, um médico é a profissão mais requirida dentro das famílias, de modo que cada uma costumava ter pelo menos um membro formado em medicina para essas ocasiões.

Vito consegue dinheiro o bastante para pagar a dívida de sua família, de modo que elas não precisam mais sofrer ameaças constantes do agiota. Mas a sua felicidade ainda é bem temporária: pouco tempo depois, Vito é preso pela polícia local pelo assalto aos documentos de crédito de gasolina. Ele é sentenciado a cumprir 10 anos de prisão na penitenciária federal de Hartmann.

Mas a prisão não seria de todo ruim para Vito. Ele descobre que, dentro desta mesma penitenciária, vive um dos membros mais importantes da família Vinci: Leone Galante. Seria uma ótima oportunidade para se se praticar um pouco de Networking, não é mesmo?

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Leone Galante é um "consigliere", ou conselheiro, da família Vinci. Os conselheiros são como se fossem braços direitos do Don. Eles não possuem poder propriamente dito, mas são como homens de confiança do Don, fornecendo conselhos e fazendo contatos. Muitas vezes, os consiglieres passam os recados e dão ordens aos capos, mas sempre sob ordem estrita do Don. Leone é um influente consigliere, respeitado ao máximo por seus amigos e inimigos. Vive uma vida luxuosa e de rei dentro da penitenciária, onde ele fica ao alcance da segurança tanto da polícia quanto de seus maiores amigos e conhecidos.

Na cadeia, Vito logo conquista a confiança de Leone e passa a trabalhar para ele. Servindo como um cão de briga, ele participa de torneios e assassinatos internos, e até mesmo tem a chance de se encontrar mais uma vez cara-a-cara com Brian O'Neill, aquele gângster que encontrou na joalheira. Os dois armam uma confusão e vão parar na solitária. Vito recebe uma visita de sua irmã, que anuncia que ela vai se casar com um cara aí qualquer, e que a mãe deles está muito doente. Vito concede a ela todo o seu dinheiro para que possa comprar um presente de casamento e chamar um médico para a mãe. Mesmo com todos os esforços, a senhora Maria Scaletta morre dias depois.

Vito segue sua vida dentro da cadeia. Ele limpa privadas. Espanca pessoas. Livra-se de estupradores estúpidos. Consegue respeito com os outros. Ele consegue uma luta com Brian O'Neill, e acaba por matá-lo. Com a influência de Leone, Vito consegue ser solto mais cedo do que esperava, em 1951.

Vito se assusta um pouco com a verdadeira revolução cultural que aconteceu. Novos hábitos, novos modos, novas roupas, novos carros e tudo o mais. Joe passou a trabalhar para a família Falcone, uma das três grandes de Empire Bay. As três famílias são: Vinci, Falcone e Clemente.

Joe logo convida Vito a participar de alguns serviços mais escusos para a máfia da família Falcone. Ele até mesmo apresenta a Vito o sotto capo da família, Eddie Scarpa.

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Eddie Scarpa é "sotto capo" da família Falcone. Sotto capo é como se fosse um vice-presidente: a figura imediatamente abaixo do Don. É a pessoa que se responsabiliza de seus afazeres quando o Don está longe, adoentado ou preso. É o primeiro a assumir o cargo de Don quando o Don morre. Geralmente, é uma figura mais pública: conversa diretamente com os capos e é mais visto que o Don, porém menos temido. Por ser cargo de confiança, nem todas as famílias possuem um, e geralmente é um parente direto do Don.

Após algumas noitadas mais calientes, eles se tornam amigos e logo Vito passa a trabalhar para a máfia. Ele então começa a traficar charutos, combater gangues de motoqueiros que vendem drogas na cidade, e assassinar capos de famílias rivais. Após tantas missões cumpridas, não é de se admirar que eles caiam no gosto da máfia. Em pouco tempo eles conhecem o próprio Don da máfia Falcone, Carlo Falcone.

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Carlo Falcone é o "Don" da família Falcone, ou seja, o líder máximo. O cara que manda e desmanda, aquele que é mais temido e mais influente dentro da sua família, e o mais forte de todos eles. Líder absoluto, ele passa suas ordens diretamente aos capos, ou através do sotto capo. Carlo é um chefe muito obstinado e não tolera falhas, assim como a maioria dos líderes de máfia de sua época. Afinal, eles precisam passar sempre sua força, de forma a evitar brigas internas e traições.

Subindo na carreira e se tornando soldatos, Vito e Joe se tornam uma dupla de muito prestígio dentro da família Falcone. Tanto é que Carlo decide lhes dar uma missão absoluta: assassinar o Don da família Clemente, a família que mais cresce na cidade, e que começa a irritar as outras famílias. E assim, eles armam uma emboscada para eliminar Alberto Clemente.

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Alberto Clemente é o Don da família Clemente, a família mais recente das três maiores da cidade. Ela começou muito pequena, e veio se fortalecendo conforme as outras duas guerreavam entre si. Depois que se tornou uma das maiores, começou a causar desconforto nas outras duas famílias ex-rivais.

Joe e Vito armam um plano audacioso: explodir o hotel no qual a família Clemente faria uma conferência. Eles até tentam, mas a tentativa sai pela culatra. Eles perseguem Clemente e por fim conseguem matá-lo, mas de forma muito barulhenta, chamando a atenção da polícia. Vendo que a família Clemente está por um fim, Henry Tomasino, aquele que tanto ajudou Joe e Vito no começo de suas carreiras, pede asilo dentro da família Falcone. Vito apresenta Henry a Eddie Scarpa, que gosta dele. Porém, para provar sua lealdade à família Falcone, Henry possui uma missão: assassinar Leone Galante, consigliere da família Vinci, uma antiga inimiga da família Falcone.

Mas é claro que Vito não podia permitir que Henry matasse logo Leone Galante, quem tanto lhe ajudou na prisão. Viro deve sua vida a Galante. Disposto a salvar a vida dele porém sem interferir na missão de Henry, ele tenta avisar Galante para que fuja. A tentativa não dá certo, mas Henry e Galante fazem um acordo de paz. Henry finge que assassinou Galante, e ele foge para outra cidade para sempre.

Logo em seguida, Vito descobre que sua irmã, Francesca, está sofrendo nas mãos de seu novo marido. Ele chega bêbado em casa, faz festinhas com amigos, usa drogas, sai com prostitutas e ainda bate nela. É claro que Vito não iria deixar barato, e sai atrás do canalha, que toma por nome Eric Reilly.

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Vito encontra Eric bem no meio de uma festinha, e pior: com outra garota. Ele arrebenta o cara de porrada até a transformar a cara dele em uma massa de carne e sangue indistinguível. E ele ainda o faz jurar que jamais faria qualquer mal à sua irmã. Francesca não gostou muito disso, e ainda por cima brigou com Vito por ter se metido no assunto dela. Vai se compreender as mulheres.

Vito então é atacado por uma gangue de gângsters, a mesma a que Brian O'Neill pertencia. Eles incendeiam a casa de Vito durante a noite, usando cocktail molotovs. Vito não tem escolha a não ser fugir. Ele se encontra com Joe e juntos eles vão até onde se encontra o novo líder da gangue, para assassiná-lo.

Depois, Henry Tomasino pede a ajuda de Joe e de Vito para uma ideia dele. Como ele está passando por problemas financeiros e precisa de dinheiro logo, ele decide entrar no mercado da droga. Eles então decidem reunir uma grana inicial para servir de investimento, e, a partir desse investimento, reverter tudo em drogas e faturar o triplo. Assim eles fazem negócio com o maior agiota da cidade, Bruno Levine.

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Bruno Levine é um agiota como outro qualquer. Inquestionavelmente bem sucedido e temido, ele fornece boas quantias de grana a juros altíssimos. Como não pode deixar de ser, os prazos são pequenos, e a pena para os que atrasam as dívidas é muito alta, variando de membros quebrados até a morte.

Com a alta quantia de dinheiro, eles fecham negócio com a Tríade de Empire Bay, uma sociedade secreta composta por americanos descendentes de chineses que controlam a área chamada de Chinatown (inspirada na Chinatown de Manhattan, Nova Iorque). Eles são especializados em drogas, então se encarregam de fazer o comércio de forma geral por toda Empire Bay.

Acontece que o comércio de drogas é algo muito mal visto até mesmo pela máfia. Quando Carlo Falcone descobre que tem membros da gangue envolvidos com drogas, eles logo tratam de desencorajar a atitude impondo cortes nos gastos e deixando claro que eles não compactuam com a Tríade. Por outro lado, a Tríade descobre que Henry Tomasino era, o tempo todo, um informante da FBI. Mentira, ele não era informante nada, foi apenas uma mentira que eles inventaram para assassiná-lo e ficar com a grana.

Sim, Henry estava enganando todo mundo o tempo todo. Ele só entrou para a máfia como um agente secreto infiltrado para poder prender os líderes da máfia e a Tríade veio de quebra. A Tríade assassina Henry em plena luz do dia, no meio de uma avenida movimentada, na frente de Vito e de Joe. Eles juram vingança e vão atrás do segundo comandante da Tríade, Zhe Yun Wong.

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Com arma em punho, eles tentam arrancar dele a verdade: o porquê do assassinato de Henry Tomasino e onde está a grana que eles roubaram. Wong se recusa a responder, e Joe, sem controle, acaba por assassiná-lo. Assim, eles perdem qualquer chance de reaver o dinheiro, já que a última pessoa que poderia dizer está morta.

Sem dinheiro e com uma dívida a cumprir em curto prazo, eles assumem qualquer emprego que puderem conseguir. Eddie Scarpa consegue algumas missões para eles, que não rendem tanto dinheiro, mas pelo menos é um começo. E o pior de tudo: uma das missões é assassinar ninguém mais, ninguém menos do que Thomas Angelo. O nome lhe lembra alguma coisa? Sim, é o mesmo Tommy que foi o protagonista do primeiro game.

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Thomas, o ex-taxista que virou um mafioso no primeiro jogo, agora é um mafioso a serviço da família pouco conhecida Salieri. Ele é assassinado por Joe justamente nessa missão, em troca de dinheiro. Um final não tão épico para o protagonista do jogo anterior, não é mesmo?

Joe e Vito se separam para conseguir reunir separadamente a grana que falta para pagar Bruno. Vito vai até Derek, capo da família Vinci e líder do sindicato dos portuários. Derek precisa de ajuda para conter uma greve dos portuários na região, e contrata Vito. Mas, para surpresa de Vito, um dos grevistas faz uma revelação bombástica: foi Derek quem mandou matar Antonio Scaletta, pai de Vito. Ao saber disso, Vito fica muito irado, e mata Derek e seus homens. Depois, ele rouba uma boa quantia de dinheiro no cofre do qual Derek juntava o dinheiro para a sua aposentadoria.

Com sua metade da grana adquirida, Vito vai até onde está Joe, mas não o encontra. Ele o procura por todo lugar, e descobre por meio de Giuseppe Palminteri o paradeiro dele. Quando ele chega até o local, ele é abatido pelas costas por homens da família Vinci. Ao despertar, ele e Joe estão amarrados sendo interrogados por Franco Vinci.

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Franco é o Don da família Vinci. É o mais inútil e o menos visto e conhecido Don do jogo inteiro.

Joe e Vito conseguem fugir, e Franco também. Não, eles não matam Franco por falta de oportunidade. Eles vão e pagam a grana de Bruno Levine, já que conseguem a grana necessária. Após saldar a dívida, Levine ainda deixa transparecer que foi ele mesmo que emprestou o dinheiro à família de Scaletta. Ou seja: foi ele que fez o pai de Vito se afundar em dívidas, e que passou anos atormentando a família dele enquanto ele estava no exército. Vito fica muito puto com essa notícia, mas vai embora em seguida.

E agora, o que falta para Vito? A última coisa que ele pode querer é se vingar, certo? Após matar o Don da família Clemente e de virar inimigo número 1 da família Vinci, Vito é odiado em Empire Bay, e precisa ir embora o mais rápido possível, mas não sem antes se vingar de Carlo Falcone. Sim, até mesmo a própria máfia de Vito se voltou contra ele, após saber que ele estava envolvido com drogas. Drogas são o artigo mais odiado por qualquer família mafiosa italiana, e quem viu O Poderoso Chefão sabe disso muito bem.

Como uma forma de pagar sua dívida com Leone Galante, ele vai atrás de Carlo Falcone. Ele invade um observatório onde ele se esconde e encontra com Joe. Só que Joe aparenta estar do lado de Falcone, e aponta uma arma na cabeça de Vito. Acontece que isso era apenas para despistar, e os dois se juntam contra Falcone. Por fim, após um intenso tiroteio, Vito consegue matá-lo a tiros.

Na saída, eles são recepcionados por Leone Galante. Vito segue em uma limusine com ele, enquanto Joe segue em outra limusine. Galante diz a Vito que prometeu ajudar Vito, mas que Joe Barbaro não estava dentro do acordo que eles fizeram. E o jogo termina aí. Não se sabe o que aconteceu nem com Vito e nem com Joe, encerrando a história nesse momento, e não deixando dúvidas de que haverá um Mafia 3.

Fim dessa cinematográfica e impressionante história. Um dos mais belos e interessantes enredos que eu já presenciei em um jogo de videogame, sem dúvida muito bom. Espero que tenham gostado.

Sobre o jogo

Adoro jogos de época. São jogos clássicos, com uma proposta que eu adoro ver nos jogos: apresentar perspectivas já conhecidas, e sempre adoráveis. Jogos assim costumam ser muito imersivos, e essa é uma característica que eu simplesmente amo em um jogo de videogame. Jogos ambientados na era medieval, ou jogos de ninjas, ou mesmo, porque não, jogos de mafiosos.
Jogos que retratam o dia-a-dia de mafiosos não são coisa rara de se ver nos games. Já há tempos podemos  nos lembrar de jogos ambientados na época de filmes como The Godfather (O Poderoso Chefão). O tema já foi muito popular no passado, seja em filmes ou quadrinhos, assim como nos games. E agora a 2K Games tenta trazer esse sentimento único de pertencer à mais lendária máfia de todos os tempos de volta aos nossos corações.
O primeiro Mafia já é muito bem lembrado por seu estilo: Open-World Action. Esse gênero é bem popular e um dos mais versáteis dessa geração atual. Depois que Grand Theft Auto tornou esse gênero um dos mais copiados dos últimos tempos, é de se esperar que mais e mais jogos apareçam. Mas Mafia tinha um diferencial: um realismo fora de série, uma ação bem medida e uma tensão de jogo que era realmente aflitiva, além de uma belíssima história para servir de plano de fundo, cheia de referência cômicas e bem situadas aos pontos-chave da máfia. E, para delírio dos fãs, Mafia 2 trouxe exatamente todos esses elementos de volta. Aperfeiçoados e com mais tecnologia, ainda por cima.
O realismo do ambiente que cerca o jogo é tão evidente que chega a ser palpável. As lojas, a neve, os transeuntes, tudo parece ser tão vívido e tão real. Reforçado ainda mais por ser em uma cidade de época, tudo fica ainda mais legal. Se o realismo não é suficiente de se ver, ao se sentir ele é ainda maior. Os carros não se controlam como os de outros jogos Open-World. A direção é dificultada, parte pela neve na pista, parte pela mecânica dos carros daquela época. É preciso ter bem mais habilidade para se dirigir bem um carro de Mafia 2 do que um de Grand Theft Auto, por exemplo.
Mas esse realismo todo não consegue mascarar um fato um tanto quanto desagradável do jogo. Mafia 2 é um falso Open-World. Ele é Open-World apenas em sua aparência: trata-se de um jogo muitíssimo linear para o gosto dos apaixonados por esse gênero. O jogo se passa em uma missão após a outra, todas elas necessárias para avançar com a história. Não há opção a se seguir. Não há missões alternativas. Não há diversão subjetiva para fazer, missões extras, mini-games ou qualquer coisa do tipo. O jogo se resume a avançar imediatamente de uma missão para outra e acabou.
É claro que, por ser uma cidade, há locais dos quais podemos visitar. Podemos entrar em lojas de roupas para alterar nosso vestuário, podemos comprar armas em uma loja de armas e itens em uma loja de itens. Fim. Não tem mais nada para se fazer, além de missões, é claro. E a diversão imersiva acaba por aqui.  Sim, fãs de GTA podem se sentir decepcionados.
Também não é de todo ruim. O jogo possui ação pra caramba, e não se sentirá entediado em nenhum momento. Até porque as missões não são assim tão semelhantes umas das outras (o que torna a diversão extra-missões tão imprescindível em jogos como GTA, com missões mais repetitivas). Os tiroteios são frenéticos e a direção, apesar de absurdamente difícil e realista, é interessante.
A ação do jogo se divide em três momentos: carros, socos e tiros. Em qualquer cena de ação, estará fazendo uma das três coisas. Ou estará roubando carros, acelerando, fugindo da polícia e batendo nos carros adversários; ou estará dando socos, chutes e desviando de golpes no mano-a-mano; ou estará atrás de uma parede enquanto troca tiros com policiais e mafiosos usando uma variedade de armas conhecidas da época.
A direção é muito semelhante a outros jogos do gênero. Podemos roubar os carros de duas formas: ou arrebentando o vidro e chamando a atenção ou arrombando a fechadura de modo silencioso porém mais demorado. Há uma boa variedade de carros e caminhões no jogo, todos de época, e alguns bem conhecidos. Não há motos ou bicicletas (muito menos aviões) no jogo, por motivos históricos, então se acostume aos carros. Ao avançar com o carro, podemos armazená-los na nossa garagem por quanto tempo quisermos. Podemos armazenar vários carros na garagem (o número aumenta conforme o tamanho da casa). Ao andar na rua, cuidado dobrado com o gelo. A polícia ronda as ruas, então tem de tomar cuidado para não acelerar além do limite de velocidade ou cruzar o farol vermelho. Sim, a polícia pode vir atrás de você por infrações de trânsito, diferente de outros games.
Falando em polícia, ela também vai se incrementando conforme as infrações, podendo chegar até o nível quatro. No primeiro nível, eles apenas perseguem, sem usar de violência. No segundo nível, chamam reforços. No terceiro, começam a atirar para matar, e no quarto a polícia especial entra em ação. Eles perseguem mesmo, e, mesmo após conseguir escapar, eles marcam o carro que está sendo procurado. A menos que troque de carro, qualquer viatura reconhecerá um carro procurado. Se eles verem Vito fora do carro, ainda reconhecerão seus trajes, de forma que terá de trocar de vestimenta se não quiser ser facilmente reconhecido. Mas não é assim tão difícil despistar a polícia. Se conseguir matar todos os policiais que vierem, não aparecerão mais reforços. Além disso, mesmo se for pego, poderá pagar propina para os policiais e limpar seu nome, ou mesmo fingir se entregar para depois sair correndo de forma sagaz.
Uma forma ainda mais eficiente de se despistar a polícia é correr para uma oficina mecânica. Lá, eles poderão trocar a chapa do carro, tirando a cola da polícia. Mas veja bem: seu carro só pode entrar na oficina se não tiver nenhuma viatura à vista! Dentro das oficinas, ainda poderá consertar o carro, pintá-lo, turbiná-lo para fazer com que corra mais depressa, ou mesmo decorá-lo com enfeites ou novas calotas. Muito bacana poder customizar seu carro, até mesmo para poder fazer uma pequena coleção.
Agora, vamos falar dos combates corpo-a-corpo. Bem mais reforçado do que outros jogos, mas ainda básico, o jogo permite coisas simples, como desviar, socar, chutar e agarrar. Tem um outro combo que podemos fazer, e até aprendemos uns movimentos legais, como contra-golpear ou dar ganchos e ataques especiais, e tal, mas o que funciona mesmo é a tática "desvia, desvia, combo, desvia, desvia, combo". Faça isso e vencerá todas as lutas do jogo, sem surpresas. Até porque enfrentará diversos inimigos assim, até mesmo grupos de inimigos, incluindo chefões de fase.
Agora, vamos ao principal do jogo: os tiroteios. Vito é capaz de carregar uma infinidade de armas. De pistolas a metralhadoras, de espingardas a revólveres, todos podem ser armazenadas e levadas para qualquer lugar. Os tiroteios são frenéticos, com um sistema de mira eficiente e um sistema de cover que faz toda a diferença. Na verdade, o sistema de cover é mais do que importante: é uma necessidade. É impossível evitar morrer quando se enfrenta um exército de mafiosos se não encontrar um bom lugar para ficar de cover. Até porque o personagem morre rapidamente. Vito possui uma barra de vida que vai se esvaziando aos poucos, mas ele possui uma segunda barra de vida, que é mais parecido com outros Third-Person Shooters: o "escurecimento de tela". Se Vito receber muitos tiros em sequência, ele pode morrer, mesmo que a barra de vida não acabe. Quando Vito se esconde em um cover, ele recupera o fôlego e volta ao normal, mas a barra de vida não se enche novamente. Ele está pronto para tomar mais tiros, porém, se continuar tomando tiros assim, a barra acaba e ele morre. Não há coletes à prova de balas, também. E o jogo é tão realista, que, se for pego de surpresa por um oponente com uma espingarda, diga adeus.
Entre uma missão e outra, uma troca de tiros e outra, não tem muito o que fazer. Se estiver com o carro danificado ou perseguido, roube outro ou conserte-o em uma oficina. Se sua roupa estiver suja, manchada ou conhecida pela polícia, compre roupas novas. Se estiver sem munição, compre mais armas em lojas especializadas. Se estiver com pouca vida, vá a um bar ou restaurante e coma alguma coisa para se recuperar. E é isso. Não tem como fugir muito disso. Mas vale lembrar que, para fazer qualquer uma dessas coisas, precisará daquilo que é o mais importante do jogo: dinheiro.
Ganhar dinheiro em Mafia 2 é ainda mais complicado do que em outros jogos do gênero. A grana é curta e minguada, e muitas vezes, necessária. Não serão poucas as vezes em que perderá todo o seu dinheiro adquirido, seja por questões pessoais do personagem ou por conta da história mesmo. Sendo assim, fica difícil bancar o esbanjador, e querer fazer coleções de carros tunados ou de roupas caras. O dinheiro vem quase sempre por conta das missões, mas há outras formas de se conseguir  Não será preciso fazer outras coisas para conseguir dinheiro (a menos que seja um esbanjador e fique sem grana em um momento crucial do jogo, como quando precisamos pagar uma dívida), até porque são bem frustrantes. As únicas formas adicionais de se juntar uma graninha são: assaltando lojas (o que envolve matar muita gente, pegar toda a grana do caixa, o que nem sempre é muito, e depois sair correndo da polícia) ou levando carros para serem amassados e vendidos em ferro-velhos. Vender carros é mais seguro, porém mais demorado. Nenhuma das duas formas é rentável, então, a menos que esteja desesperado por dinheiro, nem vale a pena se arriscar.
Bem, para tomar um pouco mais do tempo do jogador (e não transformar o jogo em um Third-Person Shooter como outros qualquer), tem sim itens colecionáveis para se encontrar no jogo. Há diversas revistas Playboy, com coelhinhas da época, espalhadas pelo jogo. Encontrá-las desvenda belas cenas de nudez colecionáveis, e também é algo para se fazer. Não se ganha nada com isso, mas poderá procurar por elas nas fases do qual passar e em tempos livres. Outra coisa que vai passar desapercebida pela maioria dos jogadores (eu mesmo só descobri que isso existe depois de mais da metade do jogo, até porque o jogo não indica isso claramente em tempo algum) é a existência de "pôsteres de procurado" espalhados pelo jogo. Ao encontrar um pôster, recebemos a localização de um bandido procurado. Mas não temos de ir atrás do bandido, apenas encontrar os pôsteres é o que precisamos. São itens colecionáveis.
Há algumas coisas interessantes para se fazer em diversos momentos. Haverá missões, por exemplo, em que terá de invadir bases sem ser visto. Podemos nos esconder nas sombras, atacar oponentes de forma silenciosa e furtiva, e até mesmo arrastar seus corpos para locais seguros.
Em si, os melhores momentos do jogo são algumas batalhas interessantes contra chefes de fase, as animações que contam a história muito bem, e algumas conversas em meio à direção, que nos fazem rir e acreditar que estamos participando de um grande filme de ação. Mafia 2 aparenta ser mais legal do que ele é, na verdade. A história é sensacional, e o modo como ela é contada é bacana, mas o jogo em si vai parecendo ser cada vez mais mediano. Não é um clássico, e nem um dos melhores jogos de seu gênero, mas fez coisas memoráveis, e contou uma história que é uma das mais bacanas e críveis que eu já vi em um jogo de videogame.

Minha análise do jogo

Gráficos
A cidade de Empire Bay é incrivelmente detalhada. Com esmero em quase todos os detalhes, a cidade é bela, a modelagem dos personagem também é bom de se ver, e os efeitos especiais são bacanas. Mas o jogo não acompanhou a evolução do gênero, infelizmente. Veja bem: sendo um jogo lançado em 2010, mesmo comparado com GTA 4, lançado em 2008, esse jogo ainda parece inferior. Graficamente falando, há muitos bugs. Atravessar partes do cenário é constante, e os efeitos de fogo poderiam ter sido melhor trabalhados. Não é um jogo que mereça nota máxima aos gráficos, pois, apesar de o empenho ser excelente, não chega a ser impressionante.
● Nota pessoal: 4/5 (Empenho Excelente)

Som
A música do jogo é um espetáculo, sempre levando o jogador a se sentir um verdadeiro mafioso. Não só as músicas de cena, em tiroteios e tal, como as músicas saudosas de época que tocam nas rádios do carro (com direito a comentários, noticiários, troca de estações e tudo), tudo combina e cria uma atmosfera impressionante. Com músicas clássicas tocando a todo momento e belíssimas atuações de voz, sem contar com efeitos sonoros caprichados, não tenho nada a reclamar sobre a parte sonora do game. Empenho máximo por parte da 2K Czech.
● Nota pessoal: 5/5 (Empenho Máximo)

Jogabilidade
Mafia 2 é um jogo com uma jogabilidade muito bem pensada. Seja trocando tiros, acelerando ao volante ou trocando socos com oponentes, tudo se encaixa muito bem e não deixa a desejar. O sistema de cover foi bem incrementado, o sistema de mira é eficiente (tem sua falha aqui e ali, mas não atrapalha tanto) e o sistema de luta corpo-a-corpo até que não é lá tão ruim. O problema do jogo é o seu realismo excessivo. Sim, alguns não vão entender isso de um modo correto, mas a questão é que, às vezes, um pouco de fantasia faz bem ao game. O jogador morre rápido demais e o carro é excessivamente difícil de se controlar para manter a diversão em alta. A graça de se pegar um carro e escapar da polícia chega a frustrar o jogador, porque os carros são demasiadamente rápidos e viram muito mal, atrapalhando as perseguições e fugas. Um jogo que depende tanto de sua jogabilidade e que foca mais da metade do tempo de jogo dentro de um carro não pode fazer uma coisa dessas com o jogador. Eu entendo que o princípio do jogo era justamente passar maior realismo ao jogador, fazendo com que tivesse maior cautela, e aprecio isso, mas podia ser algo equilibrado também. Mas não é equilibrado, é injusto. Todos os carros parecem correr mais do que os nossos, e as viaturas são quase imbatíveis. Pelo menos o jogo traz coisas bem legais, como diversos ângulos de câmera ao dirigir e a possibilidade de se escolher mecânicas diferentes de direção são coisas que não esperava, e que tornam as coisas aparentemente mais variadas e divertidas. No todo, o empenho da 2K Czech foi excelente.
● Nota pessoal: 4/5 (Empenho Excelente)

Longevidade
O que se espera quando se jogar um jogo de tiro em mundo aberto? Longevidade quase infinita de tanta coisa para se fazer, não é? Muitas missões, muita customização e tantos mini-games e distrações que as missões são apenas um aperitivo a mais dentro de tanta imersão, não é mesmo? Pois é, acho que isso exemplifica bem a minha decepção com esse jogo. Mafia 2 é tão linear que por pouco já acharia um engano chamá-lo de "Open-World". A 2K Czech não soube tirar proveito de o que poderia se tornar um dos jogos mais épicos de todos os tempos. E nem precisaria reinventar nada - só seguir o script deixado por outros jogos do gênero. Mas Mafia 2 é um jogo comum, que leva o jogador de missão em missão, dirigindo para lá e para cá, por algo em torno de 15 horas de jogo, sem grandes surpresas, sem desvios intencionais, sem extras, sem pontos de decisão que influenciam a história, sem... Bem, sem nada. 15 horas não é pouco, mas também não é muito para o gênero, ainda mais em um jogo que carece de extras. Simplesmente o jogo limita o jogador a fazer o básico. Tem ainda a busca por revistas da Playboy e pelos pôsteres de procurado, mas isso não diminuir a carência de ser mais imersivo, de dar mais liberdade ao jogador, e de permitir que se façam mais coisas. Por causa disso, pode acabar se tornando um jogo de uma jogada só, sem grandes motivos para se voltar a jogar. Empenho mediano apenas, dado à importância e a necessidade do quesito em jogos do gênero.
● Nota pessoal: 2/5 (Empenho Mediano)

Inovação
O quanto um jogo desse gênero consegue ser inovador? O tanto quanto ele tentar "pensar fora da caixa" e fazer coisas impensáveis. Pelo bem ou pelo mal, sim, Mafia 2 arriscou bastante. Trouxe uma mecânica de jogo realista (apesar de ser um defeito na maioria das vezes, não deixa de ser uma inovação!), uma história muito bem contada para variar, e algumas opções interessantes, como a chance de se poder alterar a câmera ao dirigir e o modo como se dirige o carro. As customizações do veículo, as possibilidades de jogo, enfim, tudo isso parece que foi "incrementado" em relação a outros jogos do gênero. Tem muita coisa nesse jogo que eu queria que outros jogos do gênero também tivessem. Mas a recíproca também é verdadeira. Mafia 2 ignorou muitas coisas que poderiam fazer desse jogo ainda mais fantástico. Com a ampla concorrência, eles fazem toda a diferença. Afinal, Mafia 2 é um jogo que segue a onda de outros games que vieram antes dele. Tem inspirações diferentes, mas a mecânica em si é bem à la Grand Theft Auto. Mesmo comparados lado a lado, esse fica muito abaixo daquele. Mafia 2 fica como se fosse um retrocesso, e a impressão que fica é que ele foi lançado antes, o que não é uma impressão nada boa. O empenho que a 2K Czech teve em fazer um jogo inovador e diferente de todos os demais não passa de considerável.
● Nota pessoal: 3/5 (Empenho Considerável)

Diversão
Mafia 2 é um jogo mais divertido do que prometia, mas menos divertido do que parece à primeira vista. É o típico jogo em que as falhas vão aparecendo aos poucos e se acumulando conforme se joga. Não há uma única grande falha, mas várias pequenas falhas que irritam aqui e ali. A inteligência artificial oscila do idiota ao genial diversas vezes, e isso tudo poderia ter sido melhorado com pequenas melhorias. A carência de vida na cidade transforma a transição de uma missão a outra simplesmente uma tarefa tediosa e quase automática. O jogo é muito legal quando se está dentro de algumas missões, e chata quando se está fora delas. Essa consistência de altos e baixos não tira o brilho do jogo em seus bons momentos, mas também não é algo que pode ser ignorado. Para um Open-World Action, cada momento tem de ser um momento único. Mesmo dirigir pelas ruas de época, olhando a vida ao seu redor e a reação da cidade ao seu entorno, tudo tem de lhe direcionar para uma experiência única. Pena que não é assim que funciona com esse jogo. Dá vontade de desejar que algumas partes do jogo (como ter sempre de dirigir para casa e dormir para encerrar o capítulo) nem existissem, para que houvesse mais tempo de diversão e menos tempo de "cumprimento do dever" para ter mais tempo de jogo. Uma pena. Empenho considerável por parte da 2K Czech, não mais que isso.
● Nota pessoal: 3/5 (Empenho Considerável)

Soma Final: 21/30 (Muito Bom)

Em resumo: Mafia 2 trouxe uma história memorável e impressionante que é contada de forma impecável. Talvez um dos melhores e mais inteligentes jogos a usar do apelo da máfia em seu enredo, Mafia 2 é quase uma necessidade se você for fã do estilo. Repleto de detalhes sobre a vida dos mafiosos da época, contando de maneira fria e crua o lado bom e ruim do crime, o jogo é um belo passo à frente em relação à franquia, mas deixa a desejar quando comparado com outros jogos do gênero. Um jogo que tinha tudo para ser uma obra-prima, mas que faltou um pouco mais de capricho. Faltou ser menos um bom filme e ser mais um bom game. Indicado aos fãs incondicionais do gênero e os apaixonados por boas histórias, principalmente se a máfia estiver envolvida.


Análises profissionais

A média pela Metacritic para Mafia 2 é 75/100.

Detonado em vídeo

Esse é o melhor detonado em vídeo feito para esse jogo disponível na internet. Sem comentários, bem compactado e em excelente qualidade, os vídeos estão realmente muito bem feitos, com boas cenas e boas estratégias. O detonado mostra a localização de todas as revistas Playboy, e mostra o jogo do começo ao fim com muita qualidade. Excelente qualidade de vídeo e som, e muitíssimo bem compactado. Vale muito a pena conferir!

Parte 1


Parte 2


Parte 3


Parte 4


Parte 5


E aí, o que achou desta análise? Curtiu? Deixe-me seu comentário, ou entre em contato comigo pelo e-mail: adm_melhorfinal@hotmail.com ou pelo twitter: @AdmMelhorFinal.

7 comentários:

  1. Uma das melhores reviews que já li. Tudo bem escrito, e prende o leitor perfeitamente. Tens o meu chapéu.

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    1. Muito obrigado pelos elogios, anônimo! Valeu mesmo!

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  2. Melhor análise disponivél , mto obrigado .

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  3. Uma analise excelente para um jogo digno de toda essa grandeza, parabéns eu, ate se for fazer um vídeo analise no you tube gostaria de me basear no seu texto se me permite, a menos que vc já o tenha feito, de qualquer forma meus parabéns belo texto! Ps.: Escrever texto de análise uma preguiça kkkk

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    1. Dando os devidos créditos e mencionando nosso blog no vídeo, não há problema algum, Aliados Gamers! Podem usar o texto, contanto que não se esqueçam de mencionar a fonte.

      Abraços!

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    2. Opa se eu fizer e usar o texto do blog com certeza darei os créditos vcs merecem! Obrigado!

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  4. Tive o prazer de jogar esse jogo em 2016. Não possuo domínio sobre língua inglesa, tenho certas dificuldades e por não apresentar legendas no jogo, fiquei sem entender boa parte da história, até que procurando no google me deparo com esse excelente review. Está de parabéns. Muito bom,mesmo! Li cada palavra, cada parágrafo. Continue fazendo esse ótimo trabalho, principalmente contando a histórias dos jogos desta mesma forma, minuciosamente. Abraço

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