sábado, 21 de abril de 2012

Valkyrie Profile - Análise


Esta é a análise de Valkyrie Profile, lançado pela Enix em 1999 para o Playstation.

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Introdução

Às vezes, uma pérola pouco valorizada no mercado consegue nos surpreender, não é mesmo? Afinal, quando pensamos nos grandes lançamentos para Playstation do ano de 2000 nos Estados Unidos, dezenas de títulos nos vêem à cabeça. Apenas contando os RPGs, temos vários títulos, incluindo Chrono Cross, Final Fantasy IX, Vagrant Story, Persona 2, Breath of Fire IV, Legend of Mana, Lunar 2: Eternal Blue, SaGa Frontier 2, The Legend of Dragoon, Threads of Fate, Dragon Valor, Wild ARMS 2, e muitos outros. São muitos e muitos títulos para o gênero, e não seria difícil que um ou outro acabasse saindo desapercebido. Mas isso não aconteceu com o excelente Valkyrie Profile: uma pérola muito bem lapidada do console, que deixou uma legião de fãs apaixonados com seu estilo único e inconfundível. Acompanhem essa análise.

VALKYRIE PROFILE



Informações técnicas

Publicado por: Tri-Ace
Desenvolvido por: Enix (atual Square Enix)
Gênero: Role-Playing Game
Diretor: Yoshiharu Gotanda
Plataforma: Playstation
Data de lançamento: 22 de dezembro de 1999
Faixa etária: Teen

Trilha-sonora da análise

Enquanto lê a nossa análise, que tal escutar o áudio que separamos mais abaixo?


Aqui estão dispostas todas as músicas do jogo, em ordem. Todas elas são de composição de Motoi Sakuraba.

Sobre a história (contém spoilers)

A história de Valkyrie Profile é amplamente baseada na mitologia nórdica. Com uma composição teológica semelhante à mitologia greco-romana (os homens são submissos a uma raça superior de deuses que são extremamente poderosos e mesquinhos a ponto de se preocuparem apenas com seus afazeres e usarem os humanos como ferramentas para cumprir tudo o que eles querem e precisam), incluindo poucas alterações, a história mistura diversas lendas para compor uma história épica de amor que é impressionantemente detalhada, apesar de muitos personagens serem desprezados. Uma belíssima história que merece ser lida.

Antes de contar de forma mais direta a história, torna-se imprescindível contar primeiramente a história da própria mitologia nórdica. De acordo com essa referida mitologia, a árvore que representa o mundo e suas diferentes facetas se chama Yggdrasil. Essa árvore dos mundos se divide em dois mundos distintos. Midgard é como é chamado o mundo dos humanos, ou o planeta Terra propriamente dita. Se bem que, no jogo, Midgard possui apenas um continente com diversos países e constantemente em guerra. Além de Midgard, tem também Asgard, o mundo superior onde habitam os deuses imortais (quase como um "Monte Olimpo"). O salão onde fica Odin, no centro de Asgard, se chama Valhalla. Midgard é dividido em quatro diferentes terras: Niflheim, o mundo dos mortos, para onde as almas más vão (quase como um "Mundo Inferior"); Alfheim, o mundo em que os elfos vivem; Jotunheim, a terra de gelo, onde vivem os gigantes; e Muspelheim, a terra de fogo. Sim, tem elfos na mitologia nórdica. Anões e gigantes também. Caso esteja pensando em Senhor dos Anéis... É quase por aí. Vale lembrar que essas informações de Valkyrie Profile divergem da verdadeira mitologia nórdica: há diversas variações e algumas terras foram esquecidas.

Os deuses são conhecidos como Aesir. E tem também uma raça chamada Vanir, que é uma raça de monstrengos de gelo que se opõem contra a força dos deuses. Eles travam uma batalha épica já há muitos e muitos tempos, e essa guerra nunca termina. Se bem que é esperado que um confronto comece em breve. O confronto épico entre Aesir e Vanir será lembrado por todas as épocas, e se chamará Ragnarok.

Os Aesir são presididos pelo deus dos deuses, Odin:

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Já os Vanir sã presididos pelo maléfico rei das terras gélidas de Jotunheim, chamado Surt:

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Surt lidera os Vanir em busca do controle sobre Valhalla e sobre Asgard.

Outro elemento que tem participação no jogo são os quatro artefatos, os quatro tesouros que possuem imensos poderes, e que são muito cobiçados por todos. São eles: o Dragon Orb, um orbe que mantém a estabilidade de Midgard, e que se encontra no Palácio dos Dragões; Gungnir, a lança de Odin, que mantém a estabilidade de Asgard, Sylvan Bow, um arco que pertence aos elfos e se encontra escondido em Alfheim; e por fim o Levantine, uma espada mágica que mantém a estabilidade de Nilfheim, e que foi engolida pelo poderoso dragão Bloodbane. Esses artefatos possuem importância no jogo, uma vez que sua posse pode decidir os rumos de Ragnarok.

Bom, chega de falar de mitologia, não é? Vamos falar sobre a história de Valkyrie Profile em específico. Tudo começa na residência de uma bela garota de cabelos brancos, chamada Platina.

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Platina mora com sua família em uma cidade chamada Coriander. Trata-se de um vilarejo muito, mas muito pobre, tão pobre que os pais costumam vender seus filhos para senhores de escravos em troca de comida e dinheiro para pagar impostos. Essa é a realidade de Platina, que está prestes a ser vendida por seus próprios pais mesquinos. E ela seria vendida, se não fosse resgatada na calada da noite por seu vizinho e melhor amigo, o garoto chamado Lucian.

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Ambos fogem correndo da casa de Platina, e acabam se perdendo em meio à floresta. Sem saber exatamente para onde ir e o que fazer, os dois apenas prometem um ao outro que vão se ajudar, se proteger e permanecer juntos para sempre. O começo de um belo romance. E aí eles acabam indo parar em um bosque repleto de pequenos lírios. Para a infelicidade de Lucian, o pólen daqueles lírios é extremamente venenoso. Lucian tenta tirar Platina dali, mas ela não consegue, uma vez que está exausta de tanto correr e angustiada demais pela vida que sempre levou para querer continuar vivendo. Ela se entrega para a morte, e Lucian chora diante de seu corpo falecido.

E assim começa a história. Acontece que Platina era apenas um corpo que guardava a alma de uma das mais poderosas guerreiras a mando de Odin: as Valquírias. As valquírias são guerreiras conhecidas como "deusas dos mortos", cuja missão é andar em Midgard, terra dos humanos, e recrutar almas recém-mortas para se juntar ao exército dos deuses. As almas das valquírias vivem entre os humanos, e são selecionadas depois da morte. Porém, um selo mágico faz com que as valquírias jamais se lembrem de como eram as suas vidas enquanto humanas. Elas vivem exclusivamente para servir aos propósitos de Odin, e não podem se apaixonar ou qualquer coisa digna de seres humanos. Ah, e seu nome verdadeiro é Lenneth, e sua aparência real é essa aqui:

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Lenneth, como a valquíria recém-recrutada que é, precisa de ajuda para dominar a arte do recrutamento de almas. Eis que, para isso, ela contará com a ajuda pessoal de Freya.

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Freya é essa estonteantemente bela princesa que é uma deusa. Aliás, ela não é apenas uma deusa: ela é a deusa mais poderosa de Asgard. Sua autoridade é apenas inferior à de Odin em pessoa, de modo que ela possui suprema autoridade sobre quase todos os outros deuses. Ela possui total controle sobre a vida e a morte, sendo uma espécie de deusa encarregada da "transição" das almas entre os diferentes mundos. Extremamente preconceituosa, ela enxerga os seres humanos como meras ferramentas, seres mortais e fúteis, enfim, uma espécie de "diversão" para os Aesir.

Freya ensina a Lenneth tudo o que ela precisa fazer para obter domínio sobre seus recrutados, que recebem o nome de Einhenjar. Ela chega a acompanhar Lenneth em seu primeiro recrutamento, e tal, mas logo ela retorna para Asgard e deixa Lenneth realizar seu trabalho sozinha.

Um dos primeiros personagens com quem Lenneth irá cruzar seu caminho será Arngrim.

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Arngrim é um poderoso cavaleiro. O mais forte mercenário a mando do rei. Arrogante até o extremo, Arngrim não sabe aceitar autoridade, e o único motivo pelo qual ele segue cumpre ordens é o seu senso de dever e a necessidade de dinheiro. Vive em Artolia, com seu irmão, Roland, um aprendiz de pintor, quem ele protege e sustenta com o fruto de seu trabalho como mercenário. Ele também é muito amigo de Lawfer, filho do capitão da cavalaria real.

Arngrim se torna o mercenário mais famoso da realeza, após uma guerra em que ele matou um número enorme de oponentes. Ele recebeu uma recomendação do rei, e um troféu, mas Arngrim, orgulhoso, fez pouco caso do troféu, humilhando o rei diante de toda a comissão de mercenários. Isso irritou o rei, e, ainda mais, irritou a filha do rei, a princesa Jelanda. Aliás, essa é Jelanda:

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Jelanda é a princesa de Artolia, e tão orgulhosa quanto Arngrim. Ela não suporta ver seu pai ser humilhado por um mercenário, e decide ela mesma ir vingar o pai. Ela é pequena e muito jovem, mas é uma aprendiz da arte da magia, e já é capaz de gerar algumas mágicas bem interessantes.

Jelanda se disfarça de pobre e vai conhecer melhor Arngrim. Ela tem a intenção de contratá-lo para um serviço, apenas para desmascará-lo. Arngrim desconfia da garota, e a convida para conversarem em um restaurante de comida japonesa. Jelanda odeia a comida, e ainda por cima bebe saquê, ficando bêbada e desmaiando. Arngrim a leva para casa, e descobre que ela é a princesa. Jelanda, ao despertar, pede desculpas e vai embora, enquanto Arngrim não dá sinais de sua descoberta.

Porém, no dia seguinte, Arngrim recebe a missão de carregar uma caixa até Villnore., juntamente com um mercenário chamado Badrach. Só que os soldados reais aparecem para apreender a caixa. Arngrim e Badrach fogem, e, na fuga, eles descobrem que uma inconsciente Jelanda estava no interior da caixa! Era tudo um plano de Lombert, conselheiro do rei de Artolia, para tomar o poder de Artolia se filiando às forças vis da cidade de Villnore. Mas Lombert pensou em um segundo plano: ele entregou aos soldados uma poção que deveria ser entregue a Jelanda caso ela fosse encontrada. Essa poção acaba por transformá-la em um demônio. O demônio ataca Arngrim, e Lenneth aparece para resgatá-lo. Eles derrotam Jelanda e fazem com que ela volte ao normal, porém ela acaba falecendo, e Lenneth a recruta para ser sua primeira Einhenjar.

Arngrim volta para confrontar Lombert e vingar Jelanda. Jelanda pede a Lenneth e Freya que o ajudem, e eles juntos derrotam Arngrim. Porém, Arngrim se recusa a se redimir com Lenneth, e nem a aceitar ser um guerreiro de Valhalla, um pau-mandado de Odin. Lenneth não o aceita como Einhenjar, mas Arngrim acaba morrendo, então ela o convida para lutar ao seu lado, de qualquer forma.

E assim Lenneth prossegue em seus afazeres de valquíria, recrutando mais e mais Einhenjar para pertencerem ao exército de Valhalla. Cada Einhenjar possui sua história e uma participação, mas a maioria deles é totalmente desimportante para a história do jogo, e suas intrigas pessoais são tantas que nem compensa comentar uma por uma. Só vou citar aqui mais dois personagens que possuem importância para a história do jogo:

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Essa é Mystina, a belíssima sacerdotisa de Flenceburg. Muito sábia e habilidosa, essa garota possui sede por saber, e seu sonho é subir o alto da árvore de Yggdrasil e aprender os conhecimentos secretos dos deuses de Asgard. Para ela, a vida já não possui muita importância, pois tudo o que ela podia aprender ela afirma que já aprendeu, então ela vive uma juventude ociosa e tediosa, a seu ver.

Mystina possui o poder de emanar seu espírito para fora de seu corpo, e ela faz isso para que possa entrar em locais proibidos sem ser vista. Ao saber da morte da diretora de sua escola de magia, a senhora Lorenta, ela desconfia que um ex-aluno, expulso da escola de magia anos atrás, possa estar por trás desse crime. Para investigar, ela invade, na forma de espírito, a casa desse rapaz, chamado Lezard Valeth.

Na casa de Lezard, ela descobre antigas runas místicas que muitos jamais conseguiram descobrir. Surpresa, ela percebe que o ex-aluno possui uma torre muito bem projetada para a magia, inclusive com os poderes de se transformar em uma outra torre totalmente diferente. Chegando ao laboratório secreto de Lezard, ela descobre um homúnculo, que é um manequim em forma de ser humano utilizado para pesquisa. O homúnculo que ela encontrou era mantido "semi-vivo" no interior de uma cápsula mágica. Como o homúnculo possuía a forma de uma jovem e bela garotinha, Mystina logo desconfia que Lezard seja um safado pedófilo com tara por garotinhas pequenas que criou uma miniatura realista apenas para satisfazer seus prazeres sexuais. Sim, isso é bizarro. Com essas suspeitas, ela leva o homúnculo para sua própria casa. Não demora muito para que o próprio Lezard Valeth apareça por lá.

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Esse é o Lezard Valeth. Arrogante e ambicioso, Lezard sempre teve uma fome insaciável por poder. Sua ganância o levou a acreditar que, um dia, poderia se tornar um deus, de alguma forma. Mais do que isso, ele acha que é um deus, e que sua natureza humana é injusta e incoerente. Sem medo do que pode causar para a humanidade, ele anseia pela oportunidade de fecundar o ventre de uma deusa, criando um filho semi-deus. Para esse fim, ele passou a sua vida pesquisando e buscando a pedra filosofal, uma pedra que lhe concederia poderes inimagináveis.

Mystina acusa Lezard de ser o tal do pedófilo tarado, mas ele informa que seus objetivos são mais novos. Lezard afirma que descobriu a pedra filosofal, mas que ainda está decodificando todas as informações que adquiriu junto com ela. Ele descobriu o passado dos deuses, e descobriu que os elfos são seres superiores a os homens e inferiores aos deuses, algo como um "estágio intermediário". Ele afirma que o próprio Odin, deus dos deuses, é meio-elfo, e não um deus puro por natureza. Isso faz com que ele seja mais forte do que os outros deuses, por permitir que ele se fortaleça ainda mais com o passar dos tempos, ao invés de ser estático como os demais deuses. Por isso Lezard quer tanto ter um filho com uma deusa, para continuar a linhagem de semi-deuses mais fortes que os próprios deuses. Para isso, ele quer atrair Lenneth e ter um filho com ela. Quer pouco, ele, né?

Para cumprir esse objetivo, Lezard transformou o marido de Lorenta, a diretora da escola de magia, em demônio. Ao ser assassinada pelo marido, Lenneth aparece para recrutá-la como Einhenjar, e para assassinar o demônio. Lenneth descobre que foi tudo armação de Lezard. Ela vai atrás dele para detê-lo, mas, chegando ao seu laboratório, ela vê diversos homúnculos que possuem a sua exata aparência. Ela destrói a todos, um por um, mas, ao chegar em um homúnculo que representa a sua forma de infância, ela se lembra vagamente de Platina, e acaba por não conseguir destruí-la.

Lezard tenta fechar um acordo com Mystina: ela esconde o homúnculo em sua residência e não conta nada a ninguém, e Lezard lhe conta alguns segredos especiais sobre os deuses. Ela concorda, mas era tudo um engodo praticado por Lezard. Quando Mystina volta a retirar o espírito de seu corpo, Lezard congela eternamente o seu corpo físico, de modo que Mystina jamais conseguirá voltar à forma corpórea, permanecendo na forma etérea eternamente, ou seja, praticamente morta. Lenneth recruta Mystina para seu grupo, mas Lezard desaparece.

A história agora passa a ser definida através dos acontecimentos e das escolhas do jogador. Há três finais diferentes, mas eu escolhi contar aqui apenas o final mais bonito, o final "real", que é o final A.

A vida prega muitas peças. Em busca de novas almas para recrutar, Platina acaba indo parar em Gerabellum, uma cidade muito pobre que virou refúgio de ladrões e órfãos de guerra. Em meio ao local, eis que Lenneth se encontra novamente com Lucian, aquele garoto que ajudou Platina a fugir de sua casa e das garras dos senhores de escravos, lembra-se? Pois bem, ele virou um ladrão, e protege alguns órfãos de guerra dentro das favelas de Gerabellum. Vejam como ele se tornou:

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Lucian ainda guarda na memória a visão de Platina. Quando eles se reencontram, em um parque, ele a reconhece prontamente, apesar de não se lembrar muito bem como de quem. Lenneth, por sua vez, por não possuir a memória de sua vida humana (devido ao selo mágico), afirma não conhecer Lucian.

Acontece que Lucian arrumou uma espécie de "namoradinha", que sente muitos ciúmes dele e o acompanha por todo lado, chamada Claire:

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Claire sente fortes emoções por Lucian, e deixa isso bem claro em suas atitudes. É claro que ela não ficou feliz ao saber que Lucian reencontrou seu amor de infância. Claire se mostra contra esses envolvimentos, mas é em vão. Lucian persegue Lenneth e percebe que ela é mesmo Platina. Lenneth não sabe do que ele está falando, e o ignora, mas tudo se torna mais claro para ela quando ele morre. Sim, Lucian morre decorrente de um ataque a Gerabellum, realizado para limpar a cidade dos ladrões. Lenneth o recruta para ser um Einherjar, no momento de sua morte.

Lado a lado, lentamente Lenneth e Lucian vão se conhecendo melhor e seu apaixonando. Lucian fica maravilhado com o quão parecida Lenneth é de Platina, e afirma que era apaixonado por Platina. Lenneth também está se apaixonando por Lucian. Apesar de ela afirmar que o romance entre uma deusa e um humano é estritamente proibido, de acordo com as antigas leis, ela assume que sente algo por ele. No momento em que ela tem de enviá-lo para guerrear em Valhalla, ela lamenta ter de deixá-lo, e até mesmo dá-lhe um belo beijo na boca, coisa de cinema. Chorando por não poder continuar com seu amor proibido, ela envia Lucian para Valhalla.

Uma vez em Valhalla, Lucian se torna um poderoso escudeiro a serviço dos deuses. Ele é um dos cavaleiros que conseguem roubar o Dragon Orb, um dos principais artefatos mágicos existentes. Isso faz com que ele receba muitas recomendações por parte dos deuses, e também que cause muita inveja. Enquanto realiza trabalhos para os deuses, Lucian conhece a deusa Frei.

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Frei é a irmã mais nova de Freya. Ela sente compaixão por Lucian, e por suas histórias de amor verdadeiro de infância. Intrigada por ele desconfiar que Lenneth seja Platina, ela explica a ele que Lenneth não possui suas memórias da época de humana, devido ao selo mágico. Ela revela ainda que apenas Odin ou Freya possuem o poder de quebrar esse selo e fazê-la se lembrar de sua vida terrena.

Então, eis que aparece mais um deus, chamado Loki.

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Loki é o deus das trapaças e das enganações. Ele é meio Aesir e meio Vanir, sendo portanto aceito (e mal querido) em ambos Asgard e Jotunheim. Ele opta por viver em Asgard, mas não é respeitado pelos outros deuses, uma vez que eles sempre desconfiam de suas trapaças e de suas desavenças. Afinal, Loki está sempre tentando se sair bem em tudo, e não mostra muito apreço nem pelos Aesir e nem pelos Vanir, que dirá pelos humanos, seres que ele menospreza ainda mais. Orgulhoso e ardiloso, aspira sempre o beneficio próprio.

Ao ficar sabendo da paixão de Lucian e das intenções de despertar as memórias de Lenneth, Loki se propõe a ajudar Lucian. Ele explica que é possível despertar as memórias de uma valquíria, contanto que se assuma uma atitude verdadeira. Loki permite que Lucian use o Water Mirror, uma espécie de telefone mágico, para se comunicar com Lenneth diretamente de Asgard. Lucian usa do Water Mirror para chamar Lenneth e oferecer-lhe um brinco especial. Ele informa que escondeu o outro brinco em um "lugar especial" que ele não pode dizer onde, mas que ela saberá onde é, quando ela se lembrar. Lenneth considera esse tipo de atitude uma afronta, e se irrita com Lucian.

Mas tudo era apenas uma parte do plano de Loki, cuja intenção era roubar o Dragon Orb, que estava na posse de Lucian. Após roubar a Dragon Orb, Loki ainda vai além, e assassina Lucian ali mesmo, dentro do Water Mirror, apenas para conseguir fazer parecer que era Lucian o traidor que estava tentando fugir. Fazendo-se parecer um herói, as intenções de Loki eram ainda mais vis.

Loki vai diretamente até Surt, líder dos Vanir, e lhe fornece ajuda. Loki avisa a Surt que Odin e os Aesir já possuem três das relíquias sagradas: Gungnir, o Sylvan Bow e o Dragon Orb. Loki oferece a Surt não só o Dragon Orb, mas também o poderoso lobo Fenrir, e o dragão Bloodbane, que engoliu a espada Levantine. Ou seja, Loki oferece a Surt duas relíquias, enquanto Odin também mantém duas relíquias. Ou seja: ele incita uma caótica luta justa entre as duas forças.

Enquanto isso, Lenneth fica intrigada com o brinco que recebeu de Lucian. Ela fica ansiosa por descobrir onde se encontra o outro brinco, e então ela percebe que sabe onde ele está. Ela vai até o campo dos lírios, onde Platina morreu, e encontra, bem perto de um túmulo no qual Platina foi enterrada, o outro brinco. Isso é o suficiente para quebrar o selo mágico que protege a memória de Lenneth. Ela se lembra, então, de sua vida terrena, de Platina, e do lance que rolava entre ela e Lucian, no passado. Lenneth começa a se arrepender de sua vida de deusa, o que se torna um perigo para os deuses.

Imediatamente, Odin e Freya sentem que Lenneth agora se lembra de sua vida humana, e isso é perigoso para eles. Odin toma a sua decisão: Lenneth não deve ser mais uma valquíria. Odin manda Freya para "prendê-la" no campo cósmico, enquanto coloca sua irmã mais velha, Hrist, no local. Sem demoras, Freya vai até onde se encontra Lenneth e retira seu espírito de seu corpo, colocando o espírito de Hrist no local. Caso não saiba, essa é a Hrist:

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Hrist é bem diferente de Lenneth: uma guerreira implacável, ela é extremamente fiel a Odin, e gosta de ter tudo sobre seu comando. Feroz e brutal em batalha, ela não perdoa nada e nem ninguém, não possui amigos, acredita na justiça eterna, e não faz prisioneiros. É do tipo que bate primeiro e pergunta depois, segue fielmente as ordens de Odin, e acredita que os fins justificam os meios.

Hrist prontamente assume o papel de nova valquíria, e ordena que seus Einhenjar se curvem perante ela, em sinal de submissão. Arngrim e Mystina se recusam a fazer isso, e Hrist pretende matá-los. O espírito descarnado de Lenneth se coloca na frente de seu raio de energia, e então seu espírito de despedaça. Hrist vai embora, mas os fragmentos da alma de Lenneth ainda vagueiam no ar. Uma voz pede que a Mystina congele esses fragmentos na forma de um cristal.

Mais tarde, Mystina descobre que a voz era de Lezard, que queria que ela trouxesse a alma de Lenneth, em forma de cristal, até seu laboratório. Lezard pretende colocar a alma de Lenneth dentro de seu homúnculo. Mystina é contra, mas, após uma breve discussão, ele a convence de que é a única forma, já que o espírito da Lenneth está prestes a ceder. Após encarnar a alma de Lenneth no homúnculo, eles vão juntos até o castelo de Brahms, onde está Hrist. Aliás, permita-me apresentar Brahms:

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Eu ignorei completamente Brahms, mas ele é o líder dos mortos-vivos, os cavaleiros de Nifleheim. Totalmente contrário aos ideais de Odin, ele é contra a manipulação dos seres humanos que Asgard faz. Brahms considera os humanos aliados, já que muitos deles também são contra as forças de Odin. Qualquer um que seja contra Odin é do agrado de Brahms, de modo que ele pode ser um amigo poderoso de qualquer lado, e um rival a ser temido. Odin não se atreve a perturbá-lo, até porque Brahms é fiel ao seu amor por Silmeria, a irmã mais nova de Lenneth e Hrist, que ele aprisionou em um cristal de gelo para que permaneça com ele por toda a eternidade.

Hrist foi até ele para libertar Silmeria. Acontece que Brahms é muito, mas muito mais poderoso do que Hrist, e considera um desperdício de tempo gastar sua energia com um ser tão fraco e insignificante. Hrist quer libertar a irmã de qualquer forma, e então chegam Lenneth, Arngrim e Lezard. Eles se juntam a Brahms para conseguirem derrotar Hrist e exorcizar a alma dela de seu corpo. Depois da batalha, Brahms afirma que eles podem ir, e que ele não irá interferir de forma alguma na guerra de Ragnarok. Com o corpo de Lenneth livre, eles conseguem encarnar Lenneth mais uma vez no corpo que já lhe pertencia.

Enquanto isso, Loki assassina Surt. Mas Loki não está do lado do bem, e nem do mal: ele deseja ambos os lados. Loki quer controlar Asgard, e também Jotunheim. Sua ambição faz com que ele volte e mate Odin. Odin nem o confronta pessoalmente, com medo de destruir o Dragon Orb, e, assim, acabar destruindo toda Midgard. Loki derrota Odin e se torna o deus dos deuses de Asgard.

Lenneth chega tarde demais, e vê Freya lamentando a morte de Odin. Lenneth diz que não sente pena de Odin, por ele ter usado os seres humanos para seu benefício próprio por todos esses anos, mas diz que vai encontrar Loki e fazê-lo pagar pelo que fez. Freya a alerta que Lenneth não deve permitir que seus sentimentos humanos a consumam, pois isso poderá fazer com que ela se destrua. Lenneth diz que sempre manterá a sua compaixão pelo próximo, incluindo os seres humanos.

Lenneth então reúne todos os seus Einhenjar e vai até Valhalla, onde Loki está à sua espera. Lenneth trava uma batalha com ele, mas acaba derrotada. Mais do que isso, Loki desperta o poder do Dragon Orb, e faz com que toda Midgard seja plenamente destruído em um piscar de olhos. Lenneth chora ao ver tudo destruído, e por não poder ter protegido as pessoas. Então, ela desperta o poder "sagrado" das deusas, que ela adquiriu ao ser encarnada em um corpo de homúnculo feito com tecido de pele de meio-elfos. Lenneth agora possui o poder da criação! Em um piscar de olhos, ela recria toda a Midgard que foi destruída por Loki, e ainda mais bela e altiva do que antes!

Lenneth e Loki se enfrentam mais uma vez, e Lenneth vence a partida. Loki derrotado, toda Midgard e também Asgard podem viver em paz. O mundo foi reconstruído, e todos aqueles que morreram ressuscitaram. Lucian está de volta para, de uma vez por todas, poder se entregar ao amor de Lenneth e vice-versa.

Ei, não é o fim ainda! Após os créditos terminaram, podemos ver diálogos interessantes. Brahms afirma que Loki pode estar derrotado, mas Hel, a rainha do inferno de Nifleheim, não está nada contente com isso, e pode querer usa a morte de Odin para começar uma revolução contra as valquírias e tomar Asgard. E não podemos nos esquecer de Lezard Valeth, que está em sua forma espiritual: longe do alcance de Lenneth, e disposto a se tornar um deus mais do que nunca. Mas isso são cenas dos próximos capítulos...

E assim acaba a excelente história de Valkyrie Profile. Gostaram? Espero que sim.

Sobre o jogo

Valkyrie Profile é um RPG diferente de todos os outros jogos desse gênero que você poderá encontrar. O clima é diferente, o sistema de jogo é diferente, o progresso é diferente, e o combate é diferente. Essas diferenças todas serão melhor explanadas no decorrer dessa análise.
Vamos começar explicando o fundamento básico do jogo. É o seguinte: tem uma guerra prestes a acontecer: uma guerra final entre os dois maiores exércitos da mitologia nórdica: os Aesir e os Vanir. A guerra, que se chamará Ragnarok, marcará uma grandiosa batalha. Sendo uma valquíria pertencente ao exército dos Aesir, nossa missão é conquistar guerreiros que possam lutar por nós. Basicamente falando, a nossa tarefa é recrutar novos guerreiros entre as almas "recém-chegadas", digamos assim. E temos um tempo muito limitado para isso.
O jogo é dividido entre capítulos. Em cada capítulo, temos um limite de tempo para fazer aquilo que é necessário. Esse tempo disponível é medido em "períodos", o que equivale a horas, ou talvez dias, enfim, um lapso de tempo indefinível. Cada capítulo possui cerca de 25 a 30 períodos, e quando esse período acaba, não tem mais o que fazer, apenas passar para o capítulo seguinte.
Como gastamos esse tempo que nos resta é que faz a diferença. O jogo é totalmente não-linear, e deixa o jogador à vontade para não fazer exatamente nada se ele quiser. Caso o jogador queira, ele pode apenas "descansar" o capítulo inteiro. Isso mesmo, fazer nada, só tirar um cochilo, ver a hora passar e ainda assim passar para o capítulo seguinte. É claro que isso representa um prejuízo, mas é só uma forma de dizer que o jogador não é obrigado a fazer nada. Ele faz apenas aquilo que quiser fazer, podendo pular missões, ignorar recrutamentos ou um monte de outras coisas mais.
No entanto, mesmo que o jogador queira fazer alguma coisa, é bem simples. Nosso objetivo é simples: recrutar soldados e enviá-los ao campo de batalha para se prepararem. Como fazemos isso? Bem, a Valquíria possui o poder especial de "pressentir" almas prestes a serem libertas de seus corpos. Assim, ela consegue pressentir onde um futuro soldado estará disponível. Cabe ao jogador ir até o local (se ele quiser) e recepcionar a alma. Assistirá um pequeno vídeo, que mostra como era a vida de tal soldado, e como foi a morte dele. E pronto, a alma será recrutada. Legal. Uma vez que recrutou a alma, poderá usá-la em seu grupo de batalha, como protetor da Valquíria, ou poderá enviá-la para participar da guerra de Ragnarok. Se enviar alguém, não poderá recebê-lo de volta, nunca mais. Por isso, pense bem antes de enviar alguém que poderia ser melhor aproveitado no seu grupo.
O jogador pode enviar até dois personagens por capítulo, ou nenhum. O desempenho é medido ao final de cada capítulo, em uma etapa que é chamada de "Fase Sagrada", ao final de todos os períodos do capítulo. Nessa fase, poderemos acompanhar o desempenho que nossos soldados enviados estão tendo na fronte de batalha. Lembre-se que eles serão efetivamente usados; portanto, trate de equipá-los e deixá-los pelo menos um pouco mais fortes antes de enviá-los para a batalha. Mandar guerreiros fracos também não ajudará em nada, e só prejudicará o seu lado. Quanto mais forte forem os soldados que enviarem, melhor será o desempenho deles e melhor o seu reconhecimento. Sim, porque você recebe prêmios que são equivalentes ao desempenho dos soldados que enviar. A recompensa será em dinheiro, em itens especiais, em armas e em prestígio dos deuses.
E tem mais: em cada começo de capítulo, os deuses atribuem à valquíria uma recomendação: um tipo de soldado diferente. Em alguns capítulos, lhe será pedido que envie um arqueiro que tenha muito HP, em outro capítulo, um mago que tenha boa sorte, e, em outro, um soldado leve que saiba nadar. Enfim, há algumas recomendações que os deuses pedem que você tente achar alguém que se encaixe. É claro que nem sempre conseguirá preencher essas expectativas. Se não conseguir, tudo bem, pode mandar qualquer soldado que está valendo, mas, se conseguir enviar soldados que correspondem a essas expectativas, receberá bônus adicionais que valem a pena. Portanto, procure sempre atender às expectativas de cada capítulo para conseguir os bônus.
Recrutar soldados e enviá-los para batalha é a parte mais simples. Mas o jogo não se limita a isso, até porque, caso se limitasse, seria realmente patético. Um RPG tem que ter ação, também! Tem que ter combate! E tem que ter dungeons para podermos explorar!
E Valkyrie Profile tem dungeons. Há diversas áreas em que podemos explorar, sempre em 2D. Com comandos típicos de qualquer jogo em 2D (saltar, abaixar, dar rasteira, puxar, empurrar, pegar e jogar), podemos ir avançando pelos cenários, saltando obstáculos, resolvendo pequenos puzzles e encontrando inimigos. Até mesmo os encontros com inimigos são opcionais: podemos desviar dos oponentes e ignorá-los, se quiser. A ideia é sempre ir avançando e pegando itens, até chegar à sala final, onde teremos de enfrentar um chefe de fase ou realizar alguma ação especial. É claro que, dentro dos dungeons, também podemos procurar por salas secretas, itens especiais e tudo o que um RPG tem de ter.
Valkyrie Profile também tem ares de plataforma. A valquíria possui um poder peculiar: ela é capaz de atirar cristais de gelo. Esses cristais de gelo possuem muitas funções. Lançando cristais de gelo nas paredes, conseguirá escalar grandes paredes. Posicionando gelo no chão, conseguirá se impulsionar para cima com mais facilidade. Sem contar outros usos: o gelo é usado para resolver diversos puzzles dentro dos dungeons, seja refletindo lasers ou servindo de plataformas na água.
Os itens estão disponíveis em baús. Basta chegar até ele e pegar o item. No entanto, muitas vezes eles terão armadilhas escondidas. De alguns baús podem sair flechas, gás venenoso, ou mesmo os baús podem explodir. O jogador precisa estar atento para conseguir desviar das armadilhas a tempo, e só então pegar os valiosos itens, que podem ser armas, armaduras, livros de magia ou itens diversos.
Sem mais enrolação, vamos falar do sistema de combate, que é um dos fatores mais peculiares do jogo. Para começar, encontramos os oponentes dentro dos dungeons, como em Chrono Trigger, por exemplo. Podemos optar por enfrentá-los ou não. Também há uma diferença: a valquíria pode atacar fisicamente os monstros. A diferença é: se chegar a "atacar" o personagem com a espada, o primeiro turno da batalha será do lado da valquíria. Se tocar nos monstros sem atacar (ou o monstro pegar a valquíria desprevenida), o primeiro turno será dos monstros. Nem preciso dizer que é sempre bom ter o primeiro turno do combate a seu favor. Ah, e tem mais: o poder de gelo pode ser usado para imobilizar os monstros, permitindo ao jogador ignorá-los e passar por eles incólume com mais facilidade.
Uma vez dentro da arena de combate, tudo muda de ângulo. Os nossos personagens ficam à direita e os oponentes à esquerda. Cada personagem possui um botão, de modo que basta pressioná-lo para ordenar um ataque. A ideia é criar um combo, de modo que eles ataquem em conjunto e de forma ordenada, causando assim mais dano. O número de ataques varia de acordo com a arma que o jogador possui. Com o dano acumulado dos ataques, enche-se uma barra especial no canto inferior esquerdo. Quando essa barra enche, todos os personagens que atacaram o oponente (e não foram defendidos) nesse turno podem usar um golpe especial arrasador. O golpe especial também varia de acordo com a arma equipada (e também com a magia equipada, se for um mago).
Não há MP. Isso também não quer dizer que poderá sair atacando à vontade: sempre que usar uma magia ou um poder especial, o personagem será penalizado com um período chamado de Charge Time. Durante esse período, ele não poderá soltar magias e nem usar ataques especiais, mas poderá atacar normalmente. Esse Charge Time não passa de uma batalha para a outra, então pode abusar das magias e poderes especiais.
Uma coisa interessante do jogo é que, mesmo durante cada umas batalhas, poderá usar itens e trocar de equipamento. Isso é excelente, porque há armas que são eficientes contra diferentes tipos de inimigos. Sendo assim, poderá trocar de arma durante a batalha, pegando uma arma que seja eficiente contra o oponente que está enfrentando, e, dessa forma, conseguirá levar vantagem. O mesmo vale para armaduras que são eficientes contra alguns elementos.
Os equipamentos e magias do jogo podem ser trocados. Consegue-se novos equipamentos dentro de baús nas dungeons e também pode-se comprar em lojas. Além de armas, podem-se alterar armaduras, luvas, botas, acessórios e artefatos especiais. As magias são aprendidas através de livros de magia. Cada mago pode aprender até oito magias por vez. As próximas terão de ser eliminadas para que novas sejam aprendidas.
Além dos acessórios e equipamentos, há artefatos. Os artefatos só podem ser adquiridos em dungeons, após a batalha contra os chefes de fase. Por lei, todos os artefatos devem ser prontamente entregues ao deus dos deuses, Odin. Mas a valquíria não é necessariamente obrigada a fazer isso: ela pode permanecer com os artefatos, mas irá perder prestígio com Odin se fizer isso. Entregando os artefatos a Odin, não receberá nada em troca (a não ser um pouquinho mais de prestígio), mas alguns desses artefatos são raríssimos e muito úteis, de forma que vale a pena permanecer com eles. De qualquer forma, se entregar os artefatos a Odin e conseguir um excelente desempenho ao final do capítulo, receberá os artefatos entregues de presente (e com extras!).
Valkyrie Profile também possui uma inovação: estoque de experiência. Há eventos especiais no jogo que rendem pontos, e esses pontos ficam acumulados em forma de experiência extra. São orbes de experiência. Também se consegue orbes de experiência ao eliminar grandes chefes e realizar side quests. Esses orbes de experiência podem ser usados nos personagens, para que eles evoluam de nível. O interessante é que se pode usar esses orbes em personagens que estão dentro do nosso grupo principal e também em personagens extras, que se encontram fora do nosso grupo. Fazendo assim, podemos evoluir de nível até aqueles personagens que estão encostados, recém-recrutados e fracos demais para entrarem em nosso grupo para treinar. Isso se torna imprescindível, por exemplo, para enviar um personagem para Ragnarok: vale a pena evoluir alguns níveis dele primeiro, usando orbes de experiência, antes de se fazer isso. Excelente ideia da Tri-Ace e da Ênix.
As habilidades dos personagens são customizáveis. Usando Customization Points, ou CP, o jogador pode comprar novas habilidades para cada um dos personagens, sendo que essas habilidades são divididas entre habilidades de suporte, habilidades de reação, habilidades de contra-ataque e habilidades de status. Após comprar as habilidades, o jogador seleciona aquelas que ele quiser e coloca para funcionar. As habilidades são várias, e mudam de acordo com o estilo do personagem: soldados possuem habilidades diferentes de arqueiros e de magos, por exemplo.
Além de serem usados para comprar habilidades, as CPs podem ser usadas para comprar "traços" para os personagens. Esses traços são categoricamente inúteis: eles servem apenas para realçar as boas qualidades de cada um dos personagens. São qualidades superficiais, como altruísmo, asseio, compaixão e heroísmo. Quase como se constrói personagens em The Sims. Isso não interfere em nada no gameplay, nem possibilita alterações no caráter do personagem, mudando as relações entre eles, e nada disso. A ideia é aumentar o "valor de herói" que tem cada personagem. Esse número é importante quando se manda os personagens para guerrear o Ragnarok. Quanto maior o valor dos soldados que enviamos, maior será o prestígio deles na guerra, e maior a nossa recompensa. Mas não há qualquer outro benefício em gastar CP com isso.
Valkyrie Profile valoriza muito as batalhas. Como os encontros não são randômicos e infinitos, cada dungeon possui um número X de monstros para se derrotar, e, portanto, de se conseguir experiência antes do chefão do dungeon. Sendo assim, vale sempre a pena lutar com todos os monstros que aparecem: cada experiência é bem-vinda. Isso limita um pouco aqueles jogadores que gostam de treinar e treinar até levar os personagens aos níveis mais altos, ou mesmo para manter todos os personagens em um mesmo nível. Mas, de qualquer forma, ainda poderá treinar, já que sempre poderá revisitar os dungeons já visitados e enfrentar mais e mais monstros o quanto quiser.
As lojas são acessíveis a qualquer momento, em qualquer save point, na tela de mapa ou dentro de dungeons, sem a necessidade que o jogador vá até uma "loja física" para adquirir equipamentos ou itens novos. A moeda do jogo são Materialize Points, ou MP, que são conseguidos apenas de duas formas: vendendo itens que não se quer mais ou como recompensa dos deuses quando cumprimos com nossas metas ao final de cada capítulo. Ganha-se largas somas de dinheiro, mas, no entanto, o dinheiro chega a ser um tanto escasso, de modo que se deve tomar cuidado para não acabar gastando dinheiro demais. Sempre é bom ter uma reserva para emergências, pois, muitas vezes, só se conseguirá mais dinheiro ao final do capítulo, e é muito fácil ficar sem dinheiro. Mesmo assim, novos e melhores itens surgem a cada começo de capítulo nas lojas, sempre para incentivar as vendas!
Algo que merece chamar e muito a atenção: o jogo é dublado. Isso mesmo, tem dublagem! Trata-se de um dos raríssimos RPGs do Playstation que possuem trabalho de dublagem, e, convenhamos, isso faz toda a diferença. Quando eu bato na tecla da dublagem em jogos de RPG da Square, como o Final Fantasy, por exemplo, é disso que me refiro: Valkyrie Profile demonstra que é sim possível realizar um excelente trabalho de dublagem em um RPG. Tanto os diálogos como as histórias e a narrativa ficam mais interessantes quando se ouve as vozes e expressões dos personagens, aliados às caixinhas de texto. Uma experiência e tanto, e parabéns à Ênix por esse feito.
Vale ainda lembrar que o jogo permite que jogadores de diferentes habilidades possam jogar. Como Valkyrie Profile possui três modos de dificuldade (fácil, normal e difícil), ele não se prende apenas ao público hardcore, podendo oferecer um jogo mais fácil àqueles que não possuem muita prática com o estilo de jogo de um RPG. Assim, ele pode atrair os iniciantes do gênero. A diferença na dificuldade influencia não apenas a força dos oponentes, como também o modo como se evolui os personagens. Mas, se você é fã do gênero e quer um jogo hardcore, pode começar logo pelas dificuldades mais altas, e encontrará dungeons exclusivos e itens únicos!

Minha análise do jogo

Gráficos
O jogo é excessivamente 2D. A exemplo de Legend of Mana (lançado, inclusive, poucos meses antes), Valkyrie Profile optou inteiramente por esse modelo gráfico de modo a poder preencher cada canto da tela com beleza, sem se preocupar com digitalização excessiva de componentes. Ou seja, encontrará a todo momento "fotos" que equivalem a cenários. Vastos, belos e incríveis, mas ainda são fotos. Ok. O trabalho ficou impecável em diversos aspectos, assim como em vários outros games 2D, mas faltou aquela ousadia que as empresas dos últimos tempos vem apostando em seus RPGs. Todos nós sabemos que a Enix manda bem em 2D, e ela ficou devendo um 3D. Mas ficou realmente um trabalho artístico muito belo. Há alguns efeitos legais, como os efeitos embaixo d'água, ou as pétalas de lírios e pássaros que voam em meios às animações, e tal. Falta aquele aspecto impressionante. As modelagens dos personagens ficou bom, também, nada sensacional, mas ainda assim bem executado. As batalhas são shows de efeitos especiais (não tanto quanto Final Fantasy, mas chega perto), brilhos, cores e luzes, como os RPGs estão acostumados. E o jogo ainda possui cenas de animação em formato de anime e também em CG, vejam só! A mistura dos dois estilos ficou interessante, apesar de que o jogo não apresenta muitas animações, possuindo um apelo maior aos diálogos diretos. No todo, o jogo poderia ter surpreendido muito mais, mas fez bem aquilo que se propôs a fazer. Optando por um modelo gráfico já ultrapassado mas com maior garantia de acerto, a Enix teve um empenho excelente com os gráficos.
● Nota pessoal: 4/5 (Empenho Excelente)

Som
Fascinante! Se você acompanha minhas análises de jogos do gênero RPG, sabe o quanto eu repito, análise após análise, que a dublagem faz falta naqueles longos diálogos que são típicos de RPGs. E, quando eu escrevo isso, é porque me lembro de Valkyrie Profile. Um excelente RPG que possui uma história incrível, personagens memoráveis e belas cenas, com diálogos bem escritos, e, o que é ainda melhor, bem dublados. A voz dos personagens, acompanhando os momentos de tensão e de maior emoção, faz toda a diferença para transmitir o sentimento que os criadores do jogo idealizaram. Chega a ser indispensável. Um belo trabalho de dublagem para o game, que ainda por cima não se trata de um ponto isolado no aspecto sonoro: o jogo recebeu um tratamento todo especial em relação ao som. Belíssimas músicas, composições de Motoi Sakuraba, abrilhantam o game do começo ao fim. As trilhas sonoras de cada ambiente e até o clima de batalha ficou bem representado na parte sonora. Os efeitos sonoros também não são de se botar defeito, também. Empenho máximo da Enix com o desempenho sonoro do jogo.
● Nota pessoal: 5/5 (Empenho Máximo)

Jogabilidade
Valkyrie Profile mistura a estratégia dos jogos de RPG com as habilidades múltiplas e coordenação motora que costumam ser necessárias apenas em jogos de ação. Esse jogo não exigirá apenas que saiba quais botões apertar, e sim que os aperte em uma determinada ordem e com uma certa frequência. Não precisa saber apenas o que fazer, mas como fazer e com que velocidade fazer. Trata-se de algo bem diferente, e realmente é único. Há comandos de batalha que se assemelham àqueles comandos de jogos de luta, que usamos para realizar os golpes mais poderosos. E não seria exagero comparar os dois gêneros não! Valkyrie Profile se joga como um jogo totalmente diferente, e isso não é um demérito: o jogo se joga muito bem. Tanto a jogabilidade de combate quando os elementos de plataformas e puzzle na exploração e resolução de quebra-cabeças dentro das dungeons, tudo no jogo ficou muito bem pensado e confortável de se jogar. Mas só tem um problema: a falta de tutoriais para alguns aspectos do jogo. Tudo bem, o jogo tem um tutorial das coisas básicas: mas não tem tutorial sobre o uso de Skills e sobre a transferência de personagens para Valhalla, por exemplo. Não se sabe definidamente o que o jogo se espera que se faça, e isso pode até passar em branco para alguns porque não é sequer mencionado, quando se deveria. Isso não se faz, e decepciona um pouco quando se percebe aquilo que deixou de fazer porque o jogo "presumiu" que você adivinhasse. Uma pena, mas, ainda assim, o empenho da Enix com a jogabilidade foi excelente.
● Nota pessoal: 4/5 (Empenho Excelente)

Longevidade
Valkyrie Profile foi feito para ser jogado repetidas vezes. Mesmo que você seja o típico jogador que curte apenas sair jogando um game e se esquecer dele após fechá-lo da primeira vez, mesmo assim ainda terá muito jogo pela frente: de 25 a 35 horas de jogo. O game possui três dificuldades, e cada uma delas possui progressivamente dungeons mais complicados e itens melhores, de modo que vale a pena fechar o jogo no modo mais difícil, nem que seja uma vez. E o jogo ainda tem três finais, de modo que, se quiser ver tudo o que tem para ser visto (inclusive o melhor final, que é incrível), terá de fechar três vezes. É bastante conteúdo, até para os padrões de apenas dois CDs de jogo. Não deixa nada a dever em relação à longevidade, até porque o jogo é repleto de segredos e de extras aqui e ali que mantêm o jogo sempre fascinante e sempre com novos elementos para descobrir e novas estratégias para desenvolver. A multiplicidade de possibilidades, personagens jogáveis e itens, além de seu estilo naturalmente não-linear, apenas torna esse jogo quase infinito. É para se jogar por meses. Empenho máximo.
● Nota pessoal: 5/5 (Empenho Máximo)

Inovação
Valkyrie Profile é um jogo diferente dos demais, e acho que conseguir deixar isso bem claro aqui no decorrer de minha análise. Tudo nele soa diferente, e isso é de total mérito da Enix, que se desprendeu das amarras dos RPGs populares, e conseguiu se destacar na multidão apresentando uma nova proposta. Trata-se de um RPG 2D totalmente não-linear com elementos de plataforma e de puzzle, personagens carismáticos e dungeons enormes e exploráveis, além de uma história muito bem escrita e baseada na mitologia nórdica. Não é do tipo de jogo que se vê todos os anos, não é mesmo? Um jogo tão único que conseguiu algum destaque em um ano repleto de lançamentos de peso, como foi o ano de 2000, principalmente no hiper-disputado gênero do RPG! Não é para poucos não, e ressalto aqui o mérito da Enix, que é a principal responsável por criar um jogo tão original, em tantos aspectos. Empenho máximo por parte da Enix.
● Nota pessoal: 5/5 (Empenho Máximo)

Diversão
Valkyrie Profile é um jogo divertido de se jogar, sem sombra de dúvida. Um jogo rápido e muito variado, já começa por uma de suas principais características: ele é não-linear. O jogador não é obrigado a fazer nada que ele não queira. Chegou em um dungeon e o considera muito difícil? Não consegue passar por um puzzle, ou derrotar um determinado inimigo ou chefe? Sem problemas: saia do dungeon e vá para outro. Com raras exceções, você sempre poderá retornar para aquele dungeon, no futuro, e continuar de onde parou, ou, ainda, esquecê-lo e nem pensar mais nele. É claro que tem algumas coisas que são obrigatórias, mas 90% do jogo é puramente opcional. Como se isso não fosse interessante o bastante, os dungeons em si são interessantes. Há muitos itens escondidos, muitos quebra-cabeças a resolver, e lugares secretos para desvendar. Os combates também são sempre rápidos e frenéticos, de modo que o jogo raramente fica parado. É claro que há longuíssimos diálogos em que não podemos sequer mover nossos personagens, mas a maioria do tempo se passa entre uma batalha e outra. A customização dos personagens e a escolha livre dos personagens que usaremos em batalha (há dezenas de possibilidades) também são características dos bons e velhos RPGs japoneses que estão aqui presentes, para abrilhantar ainda mais essa obra-prima. Empenho máximo por parte da Enix.
● Nota pessoal: 5/5 (Empenho Máximo)

Soma Final: 28/30 (Excelente)

Em resumo: Não é fácil lançar um RPG em um ano que ficou conhecido por oferecer alguns dos melhores RPGs de todos os tempos. Declarar ampla concorrência não é fácil para ninguém, mas a Enix apostou tudo o que tinha nesse jogo - e fez muito bem. Valkyrie Profile, como dito na introdução, é uma obra-prima, uma pérola, muito bem lapidada e com poucos defeitos. Uma necessidade para qualquer amante de RPGs, ainda mais se for um apaixonado pela célebre mitologia nórdica.


Análises profissionais

A média pela Metacritic para Valkyrie Profile é 81/100.

Detonado em vídeo

Este é o melhor e mais bem compactado detonado para esse jogo disponível na internet. Mas atenção: esse detonado é do remake do jogo que foi lançado para PSP, chamado Valkyrie Profile: Lenneth. Mas não se preocupe: o jogo está igualzinho ao original, sem qualquer alteração. Está em boa qualidade, muitíssimo bem compactado e reduzido, e sem perder qualquer conteúdo. Esse detonado mostra exatamente o que fazer para conseguir o melhor final do jogo, e ainda por cima a localização de itens secretos, as melhores transferências para cada capítulo e a melhor estratégia para cada chefão de dungeon. Vale a pena conferir.

Parte 1


Parte 2


Parte 3


Parte 4


Parte 5


Parte 6


Parte 7


Parte 8


E aí, o que achou desta análise? Curtiu? Deixe-me seu comentário, ou entre em contato comigo pelo e-mail: adm_melhorfinal@hotmail.com ou pelo twitter: @AdmMelhorFinal.

Um comentário:

  1. Sei que esse post e antigo, mas vc e foda explicando essa historia pra quem nao conhece!!

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