terça-feira, 3 de julho de 2012

Black - Análise

Esta é a análise de Black, lançado pela Electronic Arts em 2006 para o Playstation 2.

File:Black cover art.jpg

Introdução

O gênero First-Person Shooter tem se tornado o mais genérico dos gêneros, com o passar do tempo, e fica difícil achar um que se destaque após 007: GoldenEye. Enquanto alguns tentaram inovar atribuindo características de RPG, de Strategy, de Open-World, de Stealth Action, de Action-Adventure, e tudo o mais, precisávamos de um jogo que trouxesse de volta o mais puro FPS, aquele nos quais só o que importa é atirar e atirar, freneticamente e de forma grosseiramente rápida. Aí a Criterion Games nos trouxe Black, e o mundo dos games parou para ver que o gênero ainda possui salvação. Não é preciso misturar com outros gêneros para que o estilo FPS se mantenha firme e forte nas épocas atuais: ele só precisa ser ele mesmo. Black é um dos mais puros First-Person Shooters já lançados, e veio com exclusividade para o Playstation 2. Vamos conhecê-lo, melhor?

BLACK


Informações técnicas

Publicado por: Electronic Arts
Desenvolvido por: Criterion Games
Gênero: First-Person Shooter
Plataforma: Playstation 2
Data de lançamento: 24 de fevereiro de 2006
Faixa etária: Mature

Trilha-sonora da análise

Enquanto lê a nossa análise, que tal escutar o áudio que separamos mais abaixo?


Música-tema do jogo, composta por Michael Giacchino.

Sobre a história (contém spoilers)

A história de Black se assemelha e muito às grandes tramas daqueles filmes de ação e espionagem da época da Guerra Fria. Grandes embates entre países, verdadeiros exércitos lutando um contra o outro, mundo caótico, muitos tiros e destruição com heróis por todos os lados. Até mesmo Estados Unidos e Federação Russa estão em cena para se digladiarem (de forma fictícia) mais uma vez.

A história se passa na Chechênia, uma das repúblicas da Federação Russa. Tudo começa mostrando um interrogatório envolvendo o soldado Jack Kellar. O jogo não chega a mostrar de forma muito definida o rosto de Jack, de modo que não temos uma imagem boa para mostrá-lo. Contente-se com essa aqui:


Pois bem. Jack Kellar é um sargento de primeira classe, e um agente operacional da CIA, a agência de informações americana. Ele é conhecido por ser um agente Black Ops, ou seja, aquele que só trabalha em operações secretas de altíssimo risco, que até mesmo a própria CIA esconde dos funcionários menos gabaritados. Extremamente habilidoso e o melhor agente da corporação, Jack é do tipo que possui uma personalidade muito forte, e, quando aceita uma missão, a leva até o fim, mesmo que para isso tenha que passar por cima de ordens de seus superiores.

Jack Kellar está aprisionado, e sendo interrogado por um homem que não se identifica em momento algum. O tal interrogador acusa Kellar de ter participado em uma missão de contra-ataque a uma missão terrorista chamada Seventh Wave. A princípio, Kellar se recusa a querer afirmar qualquer coisa, mas após um pouco de coerção ele resolve contar a sua história. Afinal, se não fizesse isso, ele ficaria preso pelo resto da vida.

Kellar começa a narrar a sua história, que começa quatro dias antes. Kellar invade uma base terrorista, e descobre que o líder da ação terrorista é ninguém menos do que William Lennox, um ex-agente da CIA que se voltou do lado dos russos e está liderando a operação Seventh Wave. Não, também não temos imagens de William Lennox, que aparece menos ainda do que Kellar no jogo.

Após uma missão em Vlodnik, Kellar encontra uma outra agente, chamada MacCarver. Ela trabalha em outro grupo dentro da CIA, e sua missão também é deter Lennox. Acontece que por acaso ela também não possui imagens para o jogo... De qualquer forma, ambos juntam forças em algumas operações, destruindo bases e fábricas de armas dos terroristas. Eles também encontram Solomon, outro agente que não possui nenhuma imagem disponível para nós.

O grupo tenta juntar forças com o grupo Alpha em um cais, mas, ao chegarem ao local, descobrem que todo o grupo Alpha foi dizimado pelo grupo pessoal de Lennox. Kellar jura vingança, e começa uma operação secreta por conta própria para retaliar a morte de tantos agentes. Ele começa então uma luta desenfreada na ponte Graznei. Eles conseguem dizimar as forças de Lennox, e invadem a base secreta em que Lennox se esconde. Kellar chega sozinho até a parte subterrânea do local, onde ele consegue eliminar Lennox em uma explosão que destrói todo o complexo.

Mas é aí que vem a revelação. O interrogador conta para Kellar que tudo não passou de um engodo planejado previamente pela própria CIA. A CIA sempre soube que Lennox era um traidor, e que estava trabalhando para os terroristas na Seventh Wave. Acontece que, dentro de sua própria legislação, eles nada poderiam fazer para detê-lo que não causasse sérios problemas no relacionamento entre os Estados Unidos e a Rússia, então eles tramaram isso para que Kellar se rebelasse contra sua própria organização e tentasse matar Lennox. Detalhe para o "tentasse", porque Lennox não está morto! Ele continua muito bem vivo, e a intenção da CIA era justamente essa: que todos pensassem que ele estivesse morto, para que eles pudessem sequestrá-lo e interrogá-lo, entregando toda a equipe do Seventh Wave sem deixar suspeitas. O que importa é que nesse momento Jack Kellar é solto, seu passado é apagado e ele deve viver com novos documentos em um novo país, pois a CIA tratou de garantir que vazasse a informação que ele "morreu em um acidente de carro a caminho da audiência". Sim, o final ficou bem sem pé e nem cabeça, e um pouco mais fraco do que se poderia esperar, mas é assim que a história acaba. Espero que tenham gostado.

Sobre o jogo

Black é um First-Person Shooter, e isso resume basicamente o que encontrará aqui. Nada além do bom e velho FPS. Esqueça esses jogos que são lançados hoje dia, em enredos belamente elaborados, muitos personagens carismáticos, zilhões de armas customizáveis, puzzles para resolver, chefes intrincados, enfim, esqueça tudo isso. Enquanto o gênero FPS vai cada vez mais se tornando um "sub-gênero" de outros estilos, como RPG, Strategy, Stealth Action e Action-Adventure, alguns devem se perguntar "e o que aconteceu com aqueles bons FPSs de antigamente"? Pois essas pessoas podem vir e jogar Black.
Lembra-se daqueles jogos simples em que a única coisa que importava era sair por aí metendo bala em quem aparecer pela frente? Não tinha lá muito o que pensar, era só sair atirando, e matar o máximo que se podia enquanto avança, sempre com muita ação. Pois bem, é esse o espírito de Black. Pegue a arma que melhor se encaixa com seus instintos e saia por aí metendo o pipoco. Metralhe tudo o que respirar, exploda tudo, destrua tudo o que puder, e apenas siga em frente sem reclamar das consequências. Afinal de contas, sempre aparecerão mais e mais inimigos para matar.
Essa ação desenfreada e quase irracional torna esse jogo um dos mais sublimes e empolgantes do console Playstation 2. Afinal, esse jogo é lembrado até hoje pelos apaixonados pelo gênero por causa disso: ele permite que o jogador faça apenas aquilo que ele sempre quis fazer nos FPSs: sair metendo bala! É um tiroteio frenético atrás do outro, com balas zunindo de todos os lados, carros, barris explosivos e granadas detonando por todo canto, e quase não há lugar para se esconder e respirar quando o couro está comendo. Não temos um exército para guiar, e nem temos para onde correr: só nos resta atirar.
Tudo bem, posso estar exagerando um pouco, mas a ideia não difere muito disso não. Black coloca o personagem frente a frente com hordas de inimigos, verdadeiros exércitos, todos eles bem armados e com suas próprias táticas de sobrevivências, aparecendo por todos os lados e exigindo reflexos rápidos do jogador, a menos que ele queira virar uma peneira de carne. Black é um jogo difícil, e exigente, daqueles que a morte está sempre a um passo. É muito fácil, e muito simples (até mesmo muito constante) morrer em Black. Basta um vacilo, um momento de desatenção para vermos que a nossa barra de vida já chegou ao final e a tela ficar completamente escura.
Black possui os movimentos básicos que poderíamos esperar de um FPS. Podemos correr, atirar, lançar granadas, trocar de armas, usar kits de vida, bater com a coronha da arma, e até operar nossa arma, colocando e tirando silenciadores e alterando suas configurações para o modo que melhor desejarmos. Não são muitas opções, e nem tem aqueles movimentos engenhosos que alguns jogos do gênero vêm apresentando nos últimos tempos, mas não tem nada que reclamar, não. O jogo é objetivo e não decepciona porque não sentirá falta de qualquer coisa que não dê para fazer com ele.
Tamanho foco na ação e na destruição também tem o seu lado negativo: tornam o jogo essencialmente linear. Uma das principais menções que as desenvolvedoras vêm apresentando ao criarem jogos FPS com características de RPG é a tentativa de deixá-lo menos linear, com mais possibilidades e menos "straightforward". Black, por outro lado, não poderia ser menos linear do que ele já é. As fases são simples e quase sempre possuem um único caminho tracejado e inconfundível para seguir. É tão simples que o jogo nem precisa de qualquer dispositivo de localização (mapas, radares etc) para auxiliar o jogador. Algumas fases até possuem rotas alternativas que o jogador pode escolher, mas os caminhos a se escolher são sempre muito semelhantes e sem muitas variações, além de escassos e quase imperceptíveis.
A destruição do jogo é uma das maiores obrigações do jogo, e algo que o torna ainda mais especial. Black apenas não coloca alguns barris explosivos, veículos e tal que você pode atirar até vê-los se espalhando em pedaços por todos os lados. Ele obriga você a fazer isso. O que esperar de um jogo em que não se pode abrir portas de outra forma que não seja atirando com uma espingarda? Explodir paredes e veículos faz parte do seu dia-a-dia, vá se acostumando com isso. Tem uma grade na sua frente? Procure o caminhão mais próximo e exploda-o. Tem uma parede em seu caminho? Exploda os barris ali no canto e passe. Simples assim. Quase todo o cenário pode ser usado a seu favor e destruído, e isso torna os embates ainda mais especiais. Tem um inimigo chato pra caramba escondido no alto de uma torre? Para quê ficar mirando nele, e tal, se podemos lançar uma granada nos barris ao pé da torre e derrubar a torre inteira, com inimigo e tudo? Tem vários soldados se escondendo ao lado de um caminhão de combustível? Para quê esperar eles saírem se podemos mandar tudo para os ares com poucas balas? Enfim, ao jogar Black, anseie por toda a destruição e carnificina que puder atingir ao alcance de sua arma.
O sistema de vida do jogo é bem antiquado. O personagem possui um indicador de vida no canto superior esquerdo da tela, que indica com precisão quanto dano ainda podemos receber antes de morrer. Quanto mais dano tomamos, a visão fica mais turva, e pode até ficar preto-e-branca. Para recuperar a vida, podemos pegar kits de primeiros socorros pelo caminho, que são usados imediatamente, ou ainda coletar medkits, que, por sua vez, são armazenados e podem ser usados quando se bem entender. Saber armazenar e poupar medkits pode fazer toda a diferença em momentos mais difíceis.
O personagem têm a sua disposição muitas e muitas armas, todas baseadas em modelos reais, variando de pistolas a uzis, de fuzis de assalto a revólveres, de rifles de precisão a lança-granadas, de espingardas a lança-mísseis. Cada uma delas está bem realista, não só na aparência como nos sons, no impacto causado e até no modo de se recarregar. Apesar disso, apenas podemos usar duas armas por vez. Isso faz com que o jogador tenha de escolher qual seu estilo preferido de jogar. O que prefere? Levar uma espingarda e uma metralhadora (minha escolha predileta)? Agir na surdina, com uma arma silenciosa e um rifle de precisão, ou quem sabe uma escolha mais casual, com uma arma rápida, como uma Uzi, e uma extravagante, como um lança-granadas? Cabe ao jogador traçar a sua estratégia, usando sempre as armas que encontrar pelo caminho. Algumas fases permitem ainda modelos mais exóticos, como armas silenciosas. A munição é abundante, mas é sempre bom economizar as balas das armas mais poderosas, que são mais escassas. Além disso, as sempre úteis granadas podem ser usadas a qualquer momento.
Apesar de Black não possuir chefes de fase propriamente ditos, ele compensa o fato incluindo breves "momentos de tensão" espalhados pelas fases. Eu chamo de momentos de tensão os momentos no qual o jogador se vê encurralado em uma determinada área, tendo de enfrentar hordas e mais hordas de inimigos que vêm um atrás do outro, aparentemente de forma incessante. Sendo alvejado por todos os lados, em posição estratégica quase sempre inferior e com limitada munição, esses momentos podem ser o inferno para alguns jogadores, pois eles geralmente antecedem os checkpoints e são fatais. Pode-se perceber esses momentos pela música característica (que chega a ser aterrorizante ouvi-la depois de um tempo).
Apesar de tudo, o jogo pode parecer brevemente previsível depois de um tempo. Afinal de contas, só há cinco tipos de inimigos no jogo inteiro: os soldados comuns, que vêm correndo em sua direção atirando sem parar e às vezes se escondem; os snipers, que ficam em pontos altos e estratégicos mirando em você à distância; os soldados de armadura, que correm na sua direção empunhando espingardas e precisam de muitos tiros para serem derrotados; os soldados-barreira, que avançam lentamente carregando telas de proteção e são mais complicados de serem mortos; e ainda os lançadores de mísseis, que ficam em áreas de difícil acesso lançado mísseis em sua direção a torto e a direito. Cada inimigo exige uma estratégia diferente de combate, e, uma vez que tenha dominado a forma de matar cada um deles, o jogo irá começar a se repetir. Apenas saiba que, a cada fase que passar, eles vão sempre aparecer, apenas mais vezes juntos, em maior quantidade e mais vezes. Mas a tática usada continua a mesma.
Black é um jogo bem difícil. Decididamente, não é para qualquer um. Apesar de ele possuir quatro níveis de dificuldade (o nível mais difícil só se torna disponível depois que se fecha no modo Hard), o sistema do jogo em si o torna desafiante para o jogador. As fases são bem longas, os tiroteios são constantes, a morte é bem rápida, e os checkpoints são escassos. Diferente de vários FPSs atuais, que apresentam um checkpoint a cada cinco minutos, Black possui poucos checkpoints. Levando-se em consideração que o personagem morre consideravelmente rápido (basta ser pego de surpresa por um oponente com uma espingarda à curta distância ou ficar desatento diante de um inimigo com lança-mísseis para dizer adeus), o jogo exige muito reflexo e coordenação para se manter vivo, ainda mais sendo atacado por todos os lados (como quase sempre acontece). Não se surpreenda quando morrer no meio de um intenso tiroteio no meio de uma fase, e perceber que terá de recomeçar desde o começo, porque não encontrou nenhum checkpoint. Sim, aposto que irá xingar muito os desenvolvedores do jogo. É algo quase que comum.
Black peca por ser um tanto quanto curto. São oito fases. Tudo bem que elas são vastas e maiores do que a média de jogos do gênero, mas ainda podem ser terminadas em menos de quarenta minutos. Isso nos rende de quatro a seis horas de jogo, e isso é bem pouco. Tudo bem que o gênero FPS não é popular por sua longevidade, mas os desenvolvedores poderiam ter pensado mais nisso. Pelo menos eles evitaram que o jogo ficasse repetitivo demais: sem muita variação, o jogo ficaria muito cansativo se permanecesse do mesmo jeito ao longo de doze ou quinze fases seguidas. Mas a ausência de um modo multiplayer também chama a atenção. Pelo menos o jogo tem extras: armas e itens exclusivos para os verdadeiros corajosos que conseguirem terminar o jogo nos modos mais difíceis. Uma proeza para poucos.

Minha análise do jogo

Gráficos
Um jogo de ação tem que encher os olhos. O brilho, o fogo, as explosões, quanto melhor forem feitas, mais exata fica a sensação de estarmos em meio a uma guerra. E nisso Black cumpre seu papel de forma exemplar. Os gráficos do jogo arrasam, oferecendo uma riqueza de detalhes e um realismo em cada cenário de forma impressionante. Cada fase foi meticulosamente pensada e trabalhada para não só ser vistoriada e admirada, mas também destruída. Sim, os cenários são destrutíveis. É possível demolir prédios e estruturas inteiras contanto que se use as armas corretas (alguém se lembra de Battlefield?), e isso é uma das coisas que mais saltam aos olhos. Os efeitos especiais do jogo são nitidamente acima da média, e passam a sensação exata do impacto que está havendo na cena. A explosão de um carro tombado é diferente da explosão de um contêiner de gasolina, e demolir um pilar semi-arrebentado não é a mesma coisa que demolir o andar inteiro de um prédio. Sem contar com as animações bem produzidas e com a animação dos personagens que são tão realistas a ponto de impressionar. Mas é claro que os gráficos também não são perfeitos: Há um pouquinho de slow-down aqui e ali, e às vezes podemos ver itens flutuando em pleno ar e corpos de inimigos desaparecerem do nada. Mas é algo raro e meramente ocasional, não tirando de forma alguma o brilho de uma obra-de-arte tão bem concebida. Empenho máximo da Criterion Games.
● Nota pessoal: 5/5 (Empenho Máximo)

Som
Uma das maiores pérolas desse jogo ainda é a música. A seleção que Michael Giacchino (em conjunto com Chris Tilton, o compositor do jogo) fez em relação às músicas foi excepcional. Cada composição combina perfeitamente com a ação, dando todo o clima de suspense, de ação e guerra que se poderia esperar de um jogo tão cinematográfico quanto esse. Vale a pena aumentar bem o volume e apreciar as composições nas fases. Fora o som das armas, os efeitos sonoros dos gritos e das explosões, que ficaram dignas de cinema. Cada arma possui seu som estilizado, e todos são reconhecíveis e incrivelmente fiéis aos modelos reais. Sem contar que a narração dos personagens (até mesmo as ordens dos companheiros durante o jogo ou os gritos e espasmos dos terroristas) foram feitos com qualidade profissional, críveis e dramáticos na medida certa. Simplesmente não tenho nada a reclamar da parte sonora. Empenho máximo.
● Nota pessoal: 5/5 (Empenho Máximo)

Jogabilidade
Black possui uma intenção clara: proporcionar o sentimento de um soldado perdido em meio a um exército inimigo. Quando se coloca lado a lado diversão e realismo, fica difícil chegar a um consenso, mas Black conseguiu encontrar um limiar interessante. Os comandos são rápidos e facilmente percebidos, com respostas rápidas a tudo que se faça. Por ter um apelo cinematográfico, alguns movimentos são ensaiados demais (como por exemplo o recarregar das armas, repleto de movimentos desnecessários), mas isso só torna esse jogo com mais cara de filme de ação. Apesar de esse jogo não possuir a firula que outros jogos possuem (como poder correr em alta velocidade, pular obstáculos, matar silenciosamente por trás, entre outras coisas), ele possui uma variedade bem grande de comandos. Podemos agachar, usar kits de cura, bater com a arma, e até mesmo calibrar algumas armas para diferentes modos de combate (tiro automático, tiro simples, e assim por diante). Enfim, não há nada desnecessário no jogo: tudo o que podemos fazer são coisas do qual realmente poderemos usar e que serão úteis no jogo. Se o foco do jogo é a ação e os tiroteios envolventes, porque encher de firulas e coisas sem sentido, não é mesmo? A jogabilidade assim fica mais simples e objetiva, e foi essa a intenção da Criterion Games. Por fazer uma jogabilidade que não é lá tão elaborada quanto outros games, mas que se mantém sempre prática e simples de se usar e compreender, posso afirmar que o empenho foi excelente.
● Nota pessoal: 4/5 (Empenho Excelente)

Longevidade
Uma das principais reclamações da crítica em relação a esse jogo foi em relação à longevidade. Discordo parcialmente de boa parte da crítica nesse quesito, apesar de ter de concordar que não é o ponto forte desse jogo. Black peca por ser mais curto do que se poderia esperar. Com um total de oito fases que podem ser completadas dentro de cerca de trinta ou quarenta minutos cada uma (contanto que não se morra repetidas vezes, senão esse tempo pode aumentar para horas), o jogo pode ser fechado de quatro a seis horas. Isso, claro, caso o jogador se atenha a apenas seguir em frente, realizando o mínimo necessário. Isso porque cada fase possui vários objetivos secundários, que tomarão um belo tempo em exploração. Isso aumenta a longevidade do jogo um pouco. Além disso, a própria Criterion percebeu essa baixa duração do jogo, e incluiu quatro dificuldades no jogo, com vários extras que podem ser liberados caso o jogador se aventure a completar os desafios mais difíceis (que são REALMENTE difíceis, e tomarão um tempo absurdamente longo para serem concluídos mesmo pelos mais experientes), o que aumenta ainda mais a longevidade. Mas a carência de mais fases, mais variação e um modo multiplayer ainda decepcionam. No todo, o empenho que a Criterion teve com a longevidade desse jogo, a meu ver, foi considerável, pelo menos.
● Nota pessoal: 3/5 (Empenho Considerável)

Inovação
É difícil falar da inovação de um jogo que pretende retomar aquilo que um gênero já havia assumido por esquecido. Afinal de contas, quem é mais original: aquele jogo que funde diversos estilos ou aquele que, em uma época em que os estilos estão todos misturados, propõe lançar algo que nos remete à humilde singularidade? Black segue na contra-mão da tendência do gênero: ele não tem por intenção misturar com outros gêneros, apelar para "toques" de outros estilos, tentando agradar a gregos e troianos; ele é meramente um FPS, simples e básico, quer goste disso ou não. Sem nada de adicional, sem firulas, sem enrolação, apenas o bom e velho tiro em primeira pessoa. Tudo com muitos tiroteios frenéticos, destruição de cenários e clima de cinema. Isso parece inovador para você? Alguns podem dizer que não, mas tem uma questão que me parece muito simples: sempre que alguém me pergunta algo do tipo "você pode me recomendar um FPS que seja do mesmo tipo que o Black", eu poderia responder assim: "olha, eu posso recomendar outros FPSs, mas, do mesmo tipo que o Black, isso não se pode encontrar em lugar algum". Às vezes, para ser inovador e se destacar, não é preciso mais do que ser você mesmo. Black não reinventou a roda, mas deixou de seguir uma tendência muito popular em sua época para criar a sua própria tendência, e fez isso tão bem que não poderia deixar de dizer que o empenho da Criterion com a inovação foi menos do que excelente.
● Nota pessoal: 4/5 (Empenho Excelente)

Diversão
Existe diversão maior do que explodir inimigos o tempo todo? Black mantém a adrenalina sempre em alta, e seja explodindo uma usina, lançamento mísseis do alto de um prédio, invadindo uma base na surdina ou trocando tiros com exércitos sobre uma ponte, o jogo dificilmente lhe dará um momento para respirar. É ação do começo ao fim, e uma missão irá lhe surpreender mais do que a anterior. Quando achar que não tem como ficar pior, toca a musiquinha do desespero, e aí o verdadeiro inferno sobre a Terra começa. Black é um jogo irritantemente complicado, e decididamente não é para qualquer um, mas todos os fãs de FPS não vão conseguir parar de jogá-lo. Cada batalha é excepcional, cada momento é único, e entre um embate e outro irá rezar para que a próxima fase seja ainda mais difícil, e que tenha ainda mais ação. O que outros jogos do gênero carecem Black possui de monte: toneladas de diversão pura, consistindo em apenas atirar nos outros de forma consciente. Não é preciso muita precisão, estratégia e "feeling de soldado" para passar das fases (a menos que se queira), apenas vontade de atirar. O resto vem por conta própria, e, quando ver, estará viciado e pedindo por mais. Mesmo quando morrer grotescamente para um lançador de mísseis que nem conseguiu ver de onde veio, irá gritar de êxtase e dizer para si mesmo: "da próxima vez, tenho de ser mais rápido e ficar mais ligado! Vou tentar de novo!". O jogo não cansa, ilude e estagna em nenhum momento, e talvez isso seja o mais especial do jogo. Ele tem uma intenção bem definida, e a cumpre com proeza. Tudo bem que o jogo começa a ficar um pouco repetitivo ao final do jogo (principalmente nas últimas fases, quando os inimigos se repetem em demasia e não há muita variação a não ser de cenário), mas até mesmo dessas partes mais chatas irá começar a sentir falta quando voltar a jogar os outros jogos do gênero. À frente dos demais, o empenho da Criterion Games com a diversão foi excelente.
● Nota pessoal: 4/5 (Empenho Excelente)

Soma Final: 25/30 (Excelente)

Em resumo: Black é um excelente game, uma grande pedida para qualquer fã do gênero. Um jogo raro de se encontrar por aí, uma obra-prima que funciona muito bem naquilo a que se propõe: garantir muita ação do começo ao fim. Vindo com pouca pretensão, Black conquistou seu espaço e logo se tornou um imenso sucesso perante dos jogadores de Playstation 2, se tornando uma das maiores referências no gênero do console, e quase uma peça obrigatória para os apaixonados por tiroteios. Vale a pena conferir, sem sombra de dúvida, pois, apesar de ser razoavelmente curto, seu estilo é inconfundível, e o jogo lhe deixará ansioso por mais e mais.


Análises profissionais

A média pela Metacritic para Black é 79/100.

Detonado em vídeo

Esse é o melhor detonado em vídeo disponível na internet para esse jogo. Ele mostra as melhores estratégias para se passar por todas as fases do jogo, pegando os itens colecionáveis e cumprindo com os objetivos secundários. O detonado foi feito na dificuldade Normal, possui qualidade de imagem e de edição razoáveis e possui comentários do autor ao longo do vídeo, dando dicas e fornecendo informações interessantes. Vale a pena conferir.

Parte 1


Parte 2


Parte 3


Parte 4


Parte 5


Parte 6


Parte 7


Parte 8


Parte 9


Parte 10


Parte 11


Parte 12


Parte 13


Parte 14


Parte 15


Parte 16


Parte 17


Parte 18


Parte 19


Parte 20


Parte 21


Parte 22


Parte 23


Parte 24


Parte 25


Parte 16


Parte 27


Parte 28


E aí, o que achou desta análise? Curtiu? Deixe-me seu comentário, ou entre em contato comigo pelo e-mail: adm_melhorfinal@hotmail.com ou pelo twitter: @AdmMelhorFinal.

6 comentários:

  1. Um grande jogo, com uma história original, e realmente concordo no quesito longevidade com o João, é algo até de certa maneira subjetivo ...

    Existem missões secundárias que realmente aumentam a longevidade do jogo, fora o nível de dificuldade que mesmo nos modos mais tradicionais, exigem certa habilidade de jogador.

    Black é o melhor First-Person Shooter da geração passada na minha opinião e fez bonito em 2005 ao revolucionar o modo como as pessoas viam um FPS, sem os clichês de sempre ... Com um mercado já saturado naquela época por jogos meia-boca e/ou por franquias ultrapassadas.

    Lembrando que Black foi lançado primeiro para o Xbox, e depois convertido para o PlayStation 2. Assim como outras "exclusividades" que a Microsoft perdeu nos idos daqueles anos.

    Parabéns pela análise João, e meus parabéns também pela aquisição do PlayStation 2.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sem dúvida, Black é um jogaço, um dos principais FPSs do console e um dos que mais marcaram pela ação e adrenalina. Tudo bem que ele não é tão perfeito assim. Eu achei a história um pouco fraquinha, bem cliché. Dava para melhorar. A longevidade pesa, mas é relativa, como afirmei. De resto, o jogo não erra em quase nada.

      Além disso, quanto aos consoles, foi o contrário. Na verdade, o jogo foi lançado em fevereiro de 2006 para Playstation 2, e só foi lançado para o Xbox em fevereiro de 2008, pelo conjunto da Microsoft intitulado "Xbox originals".

      Obrigado pelos elogios!!! =D

      Excluir
  2. sem dúvida black é o melhor jogo fps que existe! e é verdade,black não é para qualquer um. já tive a honra de zerar esse jogo no modo dificil e devo confessar: a adrenalina é imensa. tá bom que não é tão perfeito assim, mas se levar em consideração a outros jogos de tiro, black é o mais dramático e o mais desafiador do ps2.

    é claro que qualquer um pode jogar black, mas para zerá-lo se exige anos de experiencia em jogos de tiro. mais ainda, se exige excelente reflexo do jogador e inteligencia de um verdadeiro gamer!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É isso aí, anônimo. Também considero Black é um dos melhores FPSs já feitos, e um dos mais desafiantes também!

      Excluir
  3. Com certeza um dos melhores jogos que já joguei.Bom demais.

    ResponderExcluir