terça-feira, 2 de julho de 2013

The Last of Us - Análise

Esta é a análise de The Last of Us, lançado pela Sony Computer Entertainment em 2013 para o Playstation 3.


Introdução

The Last of Us roubou a cena em 2012, quando foi apresentado na E3 e levou diversos prêmios como um dos jogos mais ansiosamente aguardados. Cada trailer do game deixava a todos com a expectativa no máximo. Será que o jogo atenderia a tanto apelo? Muito do crédito se deve à Naughty Dog, criadora de Crash Bandicoot, Jak and Dexter e Uncharted. Todos confiam no trabalho dessa excelente desenvolvedora, que nunca decepciona. E, finalmente, quando ele foi lançado em 2013, roubou a cena novamente. Recepcionado com um recorde de boas notas por parte da mídia especializada, o jogo já vem sendo agraciado e mencionado como um dos melhores games não só de 2013, como dessa geração. Será que é para tanto, e que The Last of Us está à altura de tanto mérito? É o que veremos no decorrer dessa análise.

THE LAST OF US


Informações técnicas

Publicado por: Sony Computer Entertainment
Desenvolvido por: Naughty Dog
Gênero: Action-Adventure
Diretor: Bruce Straley
Plataforma: Playstation 3
Data de lançamento: 14 de junho de 2013
Faixa etária: Mature

Trilha-sonora da análise

Enquanto lê a nossa análise, que tal escutar o áudio que separamos mais abaixo?


Música tema do jogo, composta por Gustavo Santaolalla.

Sobre a história (contém spoilers)

A história de The Last of Us se passa em um ano indeterminado na época atual. O cenário inicial é a cidade de Austin, no estado do Texas, Estados Unidos da América. Tudo começa com um fungo que existe realmente na natureza, chamado ophiocordyceps unilateralis. Um momento para uma aula de biologia:

Esse fungo, existente em plantas, afeta apenas insetos menores, como formigas. Formigas que comem plantas infectadas com esse fungo se tornam "formigas zumbis", uma espécie de formiga completamente dominada pelo fungo, que se deforma e passa a obter uma fome voraz, com um comportamento totalmente incomum que leva o inseto a se alimentar sem parar até morrer. Como o fungo vive dentro do exoesqueleto do inseto e precisa de muita energia para se reproduzir e desenvolver, ele leva o hospedeiro a uma busca desenfreada por comida que fatalmente mata o inseto. Pior do que isso, a formiga infectada passa a expirar esporos que contaminam outras formigas, criando assim uma epidemia de "formigas-zumbis" suicidas que pode acabar com plantações inteiras. As formigas infectadas podem ser detectadas pelo crescimento de bolhas e um pigmento colorido na parte de trás da cabeça (os fungos do tipo cordyceps se alojam na cabeça dos hospedeiros, de preferência no cérebro). Não há cura para esse fungo, que habita países tropicais, como África, Tailândia e Brasil (Brasil é um dos países com maior incidência de fungo cordyceps no mundo). Aqui está uma imagem de formigas mortas infectadas pelo fungo cordyceps (o caule escuro que nasce na parte de trás da cabeça da formiga faz parte da infecção e reprodução do fungo:

File:Ophiocordyceps unilateralis.png

Tá, mas você deve estar se perguntando o que um fungo que afeta formigas tem a ver com um jogo de videogame. Bem, acontece que, ficcionalmente, no jogo, o fungo cordyceps foi evoluindo e evoluindo até alcançar um outro estágio de evolução. Ele passou a afetar insetos maiores, e depois passou para mamíferos menores, e daí por diante, até começar a afetar humanos. Como não tem cura e é altamente contagioso (todo hospedeiro infectado passa a exalar esporos que afetam outros hospedeiros), não demorou muito para que o fungo cordyceps criasse uma epidemia catastrófica nos Estados Unidos inteiro.

Em meio a essa crise que começou de forma realmente inesperada, está um morador comum de Austin, Texas, chamado Joel:


Não se sabe muito sobre Joel. É um texano que foi criado a vida inteira no estado, teve uma infância difícil e teve de aprender a se virar cedo na vida. Tem o estilo durão dos texanos, sabe usar uma arma e já esteve do lado errado da lei por diversas vezes. Esteve envolvido em diversas atividades ilícitas que não gosta de lembrar, mas que foram necessários para a sua sobrevivência. Tudo o que ele fez foi para proteger aqueles que ama, como o seu irmão mais novo, Tommy.


Tommy é o irmão mais novo de Joel. Mais inteligente e ambicioso, ele demonstra ser mais rebelde e ter aquele espírito aventureiro dos jovens. Inconformado com a vida difícil, buscou na vida fácil uma saída para seus problemas, mas também usava isso para ter vantagens sobre os outros. Até tem um bom coração, mas seu lado rebelde e revoltado faz com que tenha atitudes erradas quase sempre.

Joel cria sozinho sua própria filha, Sarah:


Sarah é a única filha de Joel, que ele teve com uma mulher desconhecida ao jogador, mas quando ainda era muito jovem e inconsequente. Ela tem doze anos, e é esperta para a idade. Joel teve de sacrificar muita coisa para poder criá-la sozinho durante sua adolescência, e também seria capaz de tudo para protegê-la.

Tudo começa no aniversário de Joel. Sarah lhe dá um relógio de presente, o qual está com defeito, ficando parado devido a um ponteiro quebrado. Joel agradece o presente mesmo assim. Sarah então tira um cochilo, e, ao despertar, percebe que seu pai não está em casa. Tommy tenta contato com Joel por diversas vezes, sem sucesso.

Mal sabe ela que, do nada, o fungo cordyceps sofreu uma mutação e passou a contaminar seres humanos, tornando-os em hospedeiros sem controle sobre si mesmos, com fome voraz e que querem comer tudo o que vê pela frente. A epidemia se alastrou de tal forma que criou um pânico, já que todo o estado do Texas está tentando fugir pela mesma interestadual, o governo fechou um cerco, proibindo todo mundo de sair de suas cidades, evitando que a epidemia se alastre por completo. Mas nem mesmo toda a força empregada é suficiente, e o fungo se alastra pelo país e pelo mundo, praticamente dizimando a população em poucos dias.

Sem saber de nada, Sarah vê seu pai chegar em casa, assustando e matando várias pessoas infectadas. Ele pega Sarah e foge com Tommy de carro. As principais ruas estão cheias de pessoas tentando fugir, e o engarrafamento torna qualquer estrada inviável. Pessoas infectadas começam a atacar umas às outras em meio ao engarrafamento, e começa um deus-nos-acuda. Em meio a uma fuga desesperada, um caminhão bate no carro deles, mas por sorte ninguém sai muito ferido.

Joel pega Sarah no colo e eles correm para dentro de um bar. Tommy fica no local, tentando atrasar os infectados o máximo possível enquanto Joel corre para os fundos. Joel e Sarah vão para o meio do mato, fugindo das ruas infestadas de pessoas infectadas. Eles chegam até um posto de controle do exército, mas o soldado, ao invés de oferecer abrigo e ajuda, prefere ser cauteloso e dispara na direção de Joel, tentando matá-lo. Tommy aparece na hora certa e mata o soldado, mas o disparo da arma do soldado acabou por acertar a Sarah, que não resiste ao ferimento e morre na hora.

Então, vinte anos se passam na história. O fungo se alastrou por todo o mundo de maneira imbatível. Estima-se que mais de 60% da população mundial esteja ou morta ou infectada pelo fungo, até então sem cura. Os sobreviventes estão contidos dentro de áreas de quarentena fortemente protegidas pelo exército, passando sede e fome enquanto cada vez menos água e comida é fornecida em forma de rações. Milhões de pessoas ainda vivem nas ruas, reclusas em esconderijos e caçando por suprimentos, lutando todos os dias contra a praga. Os melhores médicos e biólogos do mundo pesquisaram, atrás de qualquer tipo de cura, mas nada é capaz de impedir que o fungo continue se alastrando e tirando vidas.

Tommy saiu de casa para se juntar a um grupo extremista anti-governamental chamado Fireflies. Esse grupo foi fundado por sobreviventes da praga que, cansados de passarem fome e sede confinados dentro de zonas de quarentena que mais parecem campos de concentração, decidiram lutar contra o governo corrupto por uma distribuição de suprimentos mais justa. O grupo é nômade, mudando de quartel-general de tempos em tempos, auto-sustentável e extremamente violento, demonstrando seus ideais através de ataques terroristas organizados e objetivos.

Tal atitude de Tommy enfureceu Joel, que preferiu não se juntar aos Fireflies. Tommy saiu de casa e os dois não se viram mais desde então. Joel, por sua vez, virou um contrabandista de armas, drogas e suprimentos. Ele se envolveu em um fortíssimo esquema que contrabandeia artigos dos mais diversos tipos para dentro de fora das zonas de quarentena. Trata-se de um grupo muito bem armado, obscuro, ilegal e perigoso. Como Joel já tinha experiência como fora-da-lei, sua perícia em armas foi fundamental para seu novo "cargo". Joel se tornou uma pessoa fria, insensível, ambiciosa e sem qualquer escrúpulo.

Joel trabalhava ao lado de Tess:


Tess é uma contrabandista de armas e suprimentos do mesmo grupo de Joel. Ela é muito mais experiente no ramo do que ele, e uma das mais influentes da sede de Boston. Sua fama e influência lhe permite passagem livre para praticamente qualquer lugar, acesso a estoques quase ilimitados de comida e muitos favores. Ela se envolve com os caras mais durões do mercado negro, mas não tem qualquer medo, já que ela mesma é durona pacas. Sabe muito bem usar uma arma e impor a sua vontade na base da força. Ela é uma das cabeças do grupo, mas ainda recebe ordens de um superior chamado Bill.

Joel e Tess desenvolveram uma relação muito próxima, tornando-se grandes amigos (Tess até demonstra um carinho especial por Joel, mas que nunca foi recíproco). Ambos confiam um no outro, mas sonham com o dia em que conseguiriam sair dali, da zona de quarentena de Boston. O plano deles era arrumar muita grana, ou armas, e viver em um outro local, uma vida mais tranquila e feliz. Tess viu a chance da sua vida de ver seu sonho realizado quando conseguiu colocar as mãos em um carregamento grande de armas, o qual valia uma fortuna. Mas tinha uma problema: o carregamento de armas foi parar na mão de um contrabandista de armas pilantra chamado Robert:


Robert é um dos maiores contrabandistas de armas de Boston. Ele não demonstra muito poder, e nem tem tanto dinheiro, mas sua lábia e sua capacidade de negociação faz com que consiga sempre colocar a mão em coisa grande. Ele vende armas para ambos os lados: tanto para o exército quanto os Fireflies e também para quem quiser comprar. No entanto, sua administração é péssima, e acaba ficando sempre sem dinheiro, tendo de enfiar os pés pelas mãos para escapar de dívidas e pagar os mercenários que trabalham para ele (quase sempre com cheques sem fundo).

Mas é claro que a coisa não iria ficar por isso mesmo. Robert roubou a mercadoria de Tess e vai pagar. Joel e Tess armam uma emboscada para Robert, encontram sua localização no cais e vão pegar ele. Após se livrarem de seus seguranças especiais, eles interrogam Robert, que revela que vendeu todo o seu estoque de armas para os Fireflies. Nervosa, Tess mata Robert. Eles decidem então procurar os Fireflies para discutirem o que houve, mas nem é preciso se preocupar muito, porque logo em seguida aparece uma líder dos Fireflies: Marlene.


Marlene é a líder dos Fireflies. Uma mulher forte e imponente, sua influência é temida em todo o território americano. Apesar de seu aspecto durona e de ser fria e calculista, ela tem um lado feminino que é dócil e anseia por cuidar dos mais fracos e necessitados. Ela acreditava seriamente que sua causa é justa, e que os Fireflies estão ajudando a humanidade. Tanto que ela financia boa parte de seus recursos em buscas por curas ou soluções para a praga.

Tess pede a Marlene que devolva as armas que Robert vendeu para ela. Ela responde que pode fazer melhor: ela tem um trato a propor para eles. Se eles fizerem um serviço para ela, ela irão não só fornecer as armas de volta, como ainda dar muito mais armas e dinheiro. Tal pedido interessa a Joel e Tess, pois poderia ser a independência deles. A missão é aparentemente simples, e envolve Ellie:


Ellie é uma jovem americana de 14 anos. Ela cresceu em meio à praga, e passou toda a sua vida dentro de uma zona de quarentena, sem nunca ver a liberdade. Sua mãe, Anna, foi infectada pelo fungo e morta, e desde então ela vem sendo criada pela Marlene, que era a melhor amiga da Anna. Ellie é dócil e meiga, como uma garota de sua idade tem de ser, mas começa a perder sua inocência no mundo selvagem em que vive e é obrigada a suportar.

A missão de Joel e Tess é bem simples: levar Ellie em segurança até o prédio do capitólio de Boston, que fica a alguns quilômetros dali. A própria Marlene faria isso, mas ela foi ferida a bala em um tiroteio e corre risco de vida, precisando ser medicada imediatamente, e, além disso, ela conta com poucos membros dos Fireflies disponíveis em Boston. Por isso ela está desesperada. Haverá um grupo no capitólio esperando por eles, e é só entregar a garota e receber as armas e o dinheiro. Simples assim. Bom demais para se recusar. Eles não sabem ao certo o porquê de tal missão ser tão importante, mas aparentemente a vida de Ellie vale muito, mas muito dinheiro. Dispostos a resolverem a vida de vez, eles aceitam o trato e começam a viagem até o capitólio.

No meio do caminho, eles são barrados por um grupo de militares, e no meio da revista eles descobrem que a Ellie está infectada com o fungo do cordyceps. Após se livrarem dos militares, Ellie explica o que houve: ela sempre sonhou em sair do campo de quarentena de Boston e conhecer o mundo, saber como ele era antes da epidemia. Fugindo do colégio militar e saindo escondidos da zona, ela e a melhor amiga dela foram atacados por um infectado. A amiga dela morreu, mas Ellie, mesmo infectada, permaneceu viva e inalterada. Foi aí que Marlene percebeu que Ellie era geneticamente imune à ação do fungo parasita cordyceps" Por isso a saúde dela é tão preciosa, é vital para o futuro da humanidade. Ellie pode ser a chave para se acharem uma cura para a doença! Mas ela precisa ser examinada pelos médicos, e os melhores médicos e infectologistas do grupo Fireflies se encontram abrigados no prédio do capitólio

Então, eles continuam, e conseguem chegar ao capitólio. No entanto, descobrem que todos os Fireflies que estavam no local foram mortos por infectados, de modo que não há ninguém esperando por Ellie. Eles vão precisar levar Ellie até o quartel-general dos Fireflies, localizados bem longe dali. Desesperados e sem saber ao certo para onde irem, eles vão indo, mas logo sofrem uma emboscada do exército e Tess acaba sendo mordida por um infectado. Ela sabe que irá morrer e virar uma zumbi em questão de horas, então ela se sacrifica enfrentando os militares em uma última empreitada, ganhando tempo para que Joel e Ellie consigam fugir. Tess morre no confronto.

Bem, Joel precisa levar Ellie até o quartel-general dos Fireflies, mas eles não têm ideia de onde ele pode ficar. Eles pensam que talvez Tommy possa saber, já que ele foi membro dos Fireflies durante muitos anos, mas saiu do grupo e foi residir em Wyoming. Acontece que Wyoming fica muito, mas muito longe dali, e o trajeto a pé é impossível de ser atravessado em segurança. Eles precisam de um carro. Joel então tem uma ideia: pedir ajuda a Bill.


Bill é um contrabandista de suprimentos que atua em boa parte dos Estados Unidos. Ele tem uma firma especializada em Lincoln, e ajuda a contrabandear artigos em diversas zonas de quarentena. Ele trabalhou junto de Joel e Tess durante muitos anos, fornecendo contatos e itens a baixo custo. Era amigo pessoal de ambos, e teve muitos favores prestados também. Ele é conhecido por ser mesquinho e rabugento, além de ser autoritário e muito preocupado com sua segurança.

A empresa de Bill faliu, e ele passou a se esconder sozinho em uma vizinhança de Lincoln, rodeando o local de armadilhas que mantinham os infectados e ladrões bem longe. Se alguém pode arrumar um carro, esse alguém é Bill. Quando Joel e Ellie chegam a Lincoln, eles desarmam as armadilhas do local, o que atrai muitos infectados e enfurece Bill. Bill se mostra relutante em ajudar, a princípio, mas Joel o lembra de um favor misterioso que ele lhe fez no passado, e que Bill lhe deve uma. Bill então decide ajudá-los, e se desdobra para conseguir um carro funcionando para Joel e Ellie. Após conseguir o carro, ele os deixa e permanece em Lincoln, onde consegue viver tranquilamente.

Joel e Ellie conseguem preencher diversos quilômetros de carro, mas logo são atacados por um grupo de ladrões chamados hunters. Eles armam emboscadas e matam sobreviventes friamente, apenas para roubarem comida, armas e o que mais puderem encontrar. Eles conseguem detonar o carro de Joel e Ellie, que não têm outra escolha a não ser lutar pela sobrevivência e fugir dali.

Enquanto se escondem dos hunters na cidade de Pittsburgh, eles encontram mais dois sobreviventes. Um deles é Henry:


Henry é um afro-americano natural de Hartford. Ele tem 25 anos, ou seja, tinha apenas cinco anos quando a epidemia começou nos Estados Unidos. Devido a isso, ele tem vagas lembranças de como era o mundo antes de ele ser devastado pela praga. Viveu na zona de quarentena de Hartford durante muitos anos, mas, quando a escassez de água e comida levou um grande grupo de moradores a irem embora, ele foi junto. Henry foi acompanhado de seu irmão mais novo, Sam:


Sam é um jovem tímido de 13 anos. Ele sempre viveu à sombra do irmão, que sempre foi super-protetor com relação a ele. Henry sempre cuidou bem de Sam, e evitou que ele se metesse em qualquer enrascada, mas sua falta de tato na educação deixou-lhe com uma baixa auto-estima. Sam se considera sempre inferior e incompetente em tudo o que faz, decorrente do modo como era tratado por Henry.

Todo o grupo de Hartford foi atacado por hunters, e Henry e Sam acabaram tendo de se separar dos demais e irem se refugiar em um prédio abandonado em Pittsburgh. Joel e Ellie os encontram, e, após um choque inicial, eles decidem unir forças para saírem vivos da cidade. Henry diz que planeja se juntar aos outros, que estão esperando por ele e Sam na torre de rádio do outro lado da cidade, e que, de lá, ele pretende se filiar aos Fireflies. Como é na mesma direção de Joel e Ellie, eles vão juntos.

Em um determinado momento, ao escalar um caminhão, eles são encontrados por hunters. Henry e Sam não titubeiam e abandonam Joel e Ellie, deixando-os para trás para salvar a própria pele. Joel e Ellie são perseguidos, e então não têm escolha a não ser se jogarem de uma ponte semi-destruída. Ellie não sabe nadar, e Joel não consegue salvá-la.

Porém, Joel desperta na praia, assim como Ellie, e percebe que ela está bem. Ellie foi salva por Henry, que os encontrou na água e os salvou, como uma forma de pagar pelo mal que fez ao abandoná-los momentos antes. Joel briga com ele, mas logo eles fazem as pazes novamente. Após mais algumas aventuras, eles acabam chegando a um sistema de esgotos, onde são atacados por infectados, e depois a um vilarejo abandonado, onde são atacados por mais hunters. E eles conseguem um abrigo em um prédio.

No entanto, para a infelicidade de todos, Sam foi ferido na perna por um infectado. Com medo de represálias, ele não conta nada a ninguém, e, durante a noite, ele se transforma em um monstro. Ele ataca Ellie, e Joel tenta salvá-la, mas Henry o proíbe de matar seu irmão. Por fim, o próprio Henry acaba por atirar em seu irmão, matando-o, e culpa Joel pelo seu fracasso. Em um acesso de culpa, raiva e desespero, Henry se mata com um tiro na própria cabeça.

Joel e Ellie seguem viagem, e conseguem por fim chegar a Jackson County, em Wyoming. Eles vão até as portas de uma imensa hidroelétrica na cidade, e descobrem que o local virou uma base de refugiados. E Tommy está lá! Tommy chegou a Wyoming e encontrou refúgio na hidroelétrica, junto de muitos homens. Como alguns deles eram engenheiros elétricos, eles conseguiram religar a hidroelétrica e conseguiram colocá-la para funcionar, montando assim um refúgio, um abrigo permanente e um oásis em meio à destruição, auto-sustentável com direito a uma horta própria e pecuária. Tommy até mesmo se juntou a uma mulher chamada Maria:


Maria é a mulher pelo qual Tommy se apaixonou em Wyoming. Ela é forte e uma líder nata, ajudou a liderar o grupo de refugiados, protegê-los, organizá-los e estruturá-los, permitindo que se fortalecessem e enfrentassem os ataques frequentes de hunters.

Tommy abriga seu irmão no local. Joel explica tudo o que houve e pergunta a Tommy onde fica a base mais próxima dos Fireflies. Ele responde que o quartel-general temporário deles se encontra dentro da Universidade do Leste do Colorado, em Colorado. Joel pede a Tommy que leve Ellie até a base dos Fireflies. Ele pode ficar com a grana e com as armas, ele apenas tem medo de não conseguir levar Ellie até lá. Tommy se recusa, dizendo que é arriscado demais, e Joel insiste. No entanto, a hidroelétrica é atacada por um grupo de hunters, e Joel consegue ajudá-los a afastar os criminosos.

Então, Tommy aceita levar Ellie aos Fireflies. Mas Ellie foge à cavalo. Eles perseguem Ellie pelo bosque e a encontram. Ela diz que Joel sempre quis se desfazer dela, e que agora ele é livre para ir embora, se quiser, ela não será mais um fardo, um empecilho para ele. Joel pede desculpas pelo modo como tratou a Ellie desde então, e diz que ele mesmo irá levar Ellie até os Fireflies. Ele vai manter o trato até o fim, não por causa do dinheiro, e sim porque está começando a gostar de Ellie. Como gostava da pequena Sarah.

Tommy apenas os acompanha até perto da Universidade do Leste do Colorado. Joel e Ellie seguem sozinhos, porém, ao chegarem ao local, descobrem que está tudo abandonado. O local sofreu um ataque repentino de infectados e os Fireflies tiveram de mudar seu quartel-general para um hospital-geral em Salt Lake City, que fica razoavelmente longe dali. E lá vão eles viajar de novo.

Para piorar as coisas, Joel acaba sendo derrubado por um hunter do alto de uma varanda, e cai exatamente em cima de um ferro pontiagudo que lhe fratura a bacia. Joel perde muito sangue e desmaia. Ellie acaba tendo de cuidar dele, e justo quando começa o inverno.

Joel entra em um estado crítico de saúde, com uma febre que atinge temperaturas altíssimas. Está vivo, mas inconsciente e muito fraco. Ellie cuida dele sozinho, caçando comida com seu arco e cuidando de Joel. O medo dela é que o ferimento vire uma infecção de tétano ou algo pior. Até que, em meio a uma de suas caçadas por comida, ela encontra um homem misterioso chamado David:


David é um homem calmo e misterioso. Pouco se sabe sobre quem ele era antes da praga, mas ele é o líder de um grupo de refugiados nas montanhas do Colorado. Ele é muito parceiro de James:


James faz parte do grupo de refugiados nas montanhas. Também não se sabe muita coisa sobre ele.

David e James oferecem ajuda a Ellie, mas ela nega. Eles pedem um cervo recém-caçado por Ellie, mas ela diz que troca por antibióticos. David e James aceitam a troca, e entregam antibióticos a Ellie. Ellie cede o cervo e volta para uma cabana isolada onde deixou Joel. Ela administra os antibióticos nele. Porém, ela percebe tarde demais que tudo foi uma armadilha: eles só cederam os antibióticos para que ela os levasse até onde está Joel. Na verdade, David e James são os líderes de um grupo de hunters do Colorado, refugiados nas montanhas, e que receberam ordens de matar Joel e Ellie.

Ellie consegue fugir e atrair os bandidos para longe de Joel. Ela tenta lutar contra os refugiados, mas é aprisionada. Ao despertar, Ellie se vê dentro de um açougue humano. David e James são canibais, e se alimentam da carne de sobreviventes que eles encontram pelo caminho e matam. Mas David gostou de Ellie, e tenta convencê-la a fazer sexo com ele em troca de sua liberdade. Mas ela nega, o que irrita David.

Enquanto isso, Joel, sob efeito dos antibióticos, melhora seu quadro de saúde e finalmente desperta. Sentindo-se bem melhor, apesar das dores, ele sai da cama e vai em busca de Ellie.

Ellie consegue escapar de sua cela e mata James. Mas ela logo é encurralada por David dentro de um restaurante oriental em chamas. Dentro do local, David tenta estuprar a garota. Mas Ellie arruma uma faca e corta David em pedacinhos, em um acesso de fúria. Joel aparece no local, e ambos se reúnem novamente.

Com o término do inverno e início da primavera, Joel e Ellie recomeçam sua trajetória em direção a Salt Lake City. Passando por alguns túneis alagados, eles chegam à cidade, mas sofrem um acidente e Ellie quase morre afogada. Para o bem deles, eles são encontrados por um grupo de patrulha dos Fireflies, que os salvam e os levam para o hospital.

Ao despertar, Joel dá de cara com Marlene. Bem, ele conseguiu. Cumpriu sua promessa, o trato. Apesar de todas as dificuldades, ele trouxe Ellie até os Fireflies, e agora eles podem fazer a cura para a praga do fungo cordyceps. Joel cumpriu sua parte do trato, e agora pode pegar as armas, o dinheiro, e ir embora. Mas Joel não está mais interessado nas armas e nem no dinheiro, e sim na Ellie. Ele pergunta o que será feito da Ellie. Marlene explica que será preciso realizar uma cirurgia delicada. Eles vão abrir a cabeça de Ellie, para chegar ao cérebro, e identificar a parte que não é afetada pelo fungo, de modo a usarem a engenharia reversa para construir uma vacina contra o fungo. A cirurgia é em pontos sensíveis, e ela pode não sobreviver, mas será realizado por neurocirurgiões competentes e com certeza irá salvar milhões de vidas.

No entanto, Joel não se dá por convencido. Ele diz que não aceita perder Ellie. Marlene diz que dóis nela também, já que ela mesma conhece Ellie desde criança. Mas, infelizmente, não há outra escolha. Para salvar a humanidade, será preciso sacrificar Ellie. Mesmo ciente de todos os riscos e motivos, Joel luta contra isso, mata todos os Fireflies que aparecem pela sua frente e consegue retirar Ellie da sala de cirurgia, ainda viva e intacta, porém sedada.Joel até mesmo mata Marlene no caminho.

Joel rouba um carro do estacionamento do hospital e leva Ellie de volta para a hidroelétrica de Tommy, em Wyoming, onde ele pretende passar o resto de sua vida em paz. Quando Ellie desperta do efeito dos sedativos, ela pergunta o que houve, e Joel mente para ela. Ele diz que os Fireflies já possuíam muitas pessoas imunes ao fungo como ela, e que não conseguiram extrair a cura de nenhum deles. Portanto, eles foram embora, simples assim. Ela parece um pouco desconfiada da veracidade dos fatos, e Joel jura para ela que é verdade. Ele a console e então eles viverão, felizes para sempre, na hidroelétrica. Joel recusou a chance de salvar milhões de vidas apenas por um capricho próprio: o medo de ver a pequena Ellie ser retirada de seus braços da mesma forma como Sarah lhe foi retirada vinte anos antes.

E assim termina a história de The Last f Us. Espero que tenham gostado.

Sobre o jogo

The Last of Us é um game cinematográfico. Sua obra se assemelha muito a uma adaptação de um filme para os games, pois todo o trabalho de fotografia, jogo de cena, textos e evolução do enredo se assemelham a uma obra de arte. A trama retrata a vida na Terra pós-apocalíptica da forma mais cruel e intensa que pode ocorrer, e de certa forma a mais realista também: sobreviventes lutando uns contra os outros em busca de suprimentos. Caos completo, governo corrupto e espírito anarquista imperando.
Em meio à luta desesperada por sobrevivência, controlamos um personagem central que praticamente nasceu para essa função. Joel é bruto, frio e capaz de qualquer coisa para continuar vivo. Ele não é um herói, ele não faz as coisas em prol do bem comum, ele só faz o que tem de fazer para conseguir viver. Mesmo que seja preciso matar pessoas inescrupulosamente ou coisas muito piores.
Boa parte da narrativa do game gira em torno do relacionamento de Joel com Ellie, que pode ficar mais ou menos próximo conforme as opções do jogador no decorrer do jogo. Ambos conversam trocam ideias e se ajudam quase todo o tempo, e a interação entre eles é um dos focos do jogo.
The Last of Us é um Action-Adventure com características de Third-Person Shooter, em uma pegada semelhante a de jogos como Uncharted. Na verdade, boa parte da aventura se assemelha demais a Uncharted, outro jogo desenvolvido pela Naughty Dog. É possível identificar muitos pontos em comum no controle do personagem e na evolução do jogo em si.
Joel é capaz de transportar diversas armas ao mesmo tempo, conforme ele vai encontrando pelo caminho. A seleção é rápida e pode ser feita através de comandos rápidos. Não há substituição de armas: todas as armas já coletadas são levadas adiante, sem perdas. Você apenas define quais delas devem ficar rapidamente acessíveis no menu de troca rápida.
Falando em armas, o arsenal de Joel consiste em pistolas, revólveres, arcos, espingardas, rifles de longo alcance e até metralhadoras. A munição de cada arma é separada, de modo que deverá saber em qual situação usar determinada arma. A munição não chega a ser necessariamente escassa, mas fica em uma margem pouco confortável, de modo que o jogador não se sente motivado a sair desperdiçando balas por aí, pelo menos no início do jogo. O espírito de sobrevivência é intenso, e o jogador acaba se vendo tendo de improvisar para permanecer vivo.
Também há armas de corpo-a-corpo. Joel é capaz de pegar pedaços de pau, canos de ferro e machados pelo cenário para levar com ele, e usar quando for necessário partir para a porrada. Se não tiver, serve tudo o que houver na fase: tijolos, garrafas... Mesmo sem arma, Joel ainda é capaz de desferir golpes com as mãos. Mas o melhor mesmo é ter uma arma de corpo-a-corpo para se defender, e Joel até mesmo pode aperfeiçoar as armas, deixando-as mais resistentes e mortais.
Fora essas armas convencionais, é possível montar armas comuns e caseiras, usando ferramentas que se encontra pelo cenário. Juntando trapo e álcool, é possível fazer um potente coquetel molotov, por exemplo. Dá para montar bombas caseiras de pregos, pequenas armadilhas e também bombas de fumaça (feitas com fumaça de açúcar, diga-se de passagem), sempre usando ferramentas encontradas no cenário, como lâminas, trapos, álcool, açúcar e explosivos. Também dá para fabricar outras coisas com essas ferramentas, como facas e kits médicos.
Agora, e se a bala acabar e estiver sem suprimentos para fazer armas caseiras, o que fazer? Para esses momentos de desespero, o jogo definiu uma saída: a furtividade. Joel pode ser discreto e tentar passar por todos sem ser visto, agindo em silêncio e derrotando os inimigos silenciosamente. Há golpes e comandos específicos para tal, e pode ser bem recompensador livrar-se de alguns inimigos na surdina. Se estiver com poucas balas, vale a pena tentar economizar ao máximo abatendo quantos puder na furtividade. Joel pode estrangular os oponentes, o que demora alguns segundos, ou pode matá-los rapidamente, usando uma faca. No entanto, a faca é limitada a cada vez que se usa. No entanto, ela é necessária para se matar furtivamente alguns tipos de oponentes.
Porém, antes de decidir o que fazer, é preciso traçar uma análise sobre cada situação: a quantidade de inimigos, o número de armas e munição, e o risco envolvido. Através do modo de escuta, Joel é capaz de perceber a presença de inimigos em qualquer local, contanto que esteja perto. Isso nos permite ver através das paredes e ter uma noção maior sobre o que está ao nosso redor. Às vezes, é possível até mesmo evitar o combate, e passar desapercebido pelos inimigos pode ser um excelente caminho. Outras vezes, o combate se torna obrigatório, e é bom que tenha munição de sobra para quando esse momento chegar.
Também é preciso considerar a todo momento os inimigos presentes. Há, basicamente, quatro inimigos no jogo: os humanos, o corredores, os estaladores e os vermes. Os humanos (policiais ou sobreviventes hostis) não foram infectados e sempre estão armados. Eles ficam atentos a tudo em volta, são mais difíceis de enganar. Sabem tomar cobertura quando acuados e respondem com armas de fogo. Os corredores são os infectados no primeiro estágio. Andam de forma desengonçada e enxergam mal, mas ouvem bem. Ao verem você, correm na sua direção, gritam e tentam infectá-lo. Em bandos, podem cercá-lo e ser mortais. Os estaladores são mais complicados: eles são completamente cegos, porém têm uma audição acima do normal, capaz de ouvir o menor som. Como eles infectam ao menor toque, tentar enfrentá-los na força física é suicídio, sendo necessário armas de grosso calibre ou furtividade (eles só morrem com facadas). Já os vermes, último estágio de infecção, são altamente resistentes a danos e não morrem facilmente, sendo impossível pegá-los desprevenidamente, já que eles possuem senso avançado sobre tudo ao redor. Eles podem ser rápidos e fatais de perto, e ainda atacam à distância, com suas bombas de esporos.
Saber montar uma estratégia para cada tipo de inimigo é vital para poupar munição. Conhecendo a fraqueza de cada tipo de oponente, dá para tirar vantagem. Como se sabe por exemplo que os estaladores são cegos e se guiam pelo som, dá para lançar uma garrafa em uma determinada direção, atraindo-os para o outro lado. Da mesma forma, pode-se atrair vários estaladores para uma área e lançar um coquetel molotov para acabar com todos ao mesmo tempo.
A inteligência artificial dos oponentes foi incrementada e está mais realista e condizente, principalmente quando enfrentamos adversários humanos. Joel é capaz de se esconder e tomar cover nos mais diversos elementos do cenário, de forma livre e intuitiva, bastando apenas se agachar atrás de alguma coisa. É o que a Naughty Dog chamou de "stealth dinâmico". Os inimigos também irão tomar cover, pedir reforços, tentar cercá-lo, armar emboscadas. Enquanto você se preocupa com um lado, algum oponente mais espertinho pode tentar dar a volta no cenário para pegá-lo por trás. Mas a mesma estratégia vale para os dois lados. Se estiver lutando contra um bando de inimigos, saia correndo e se esconda. Os inimigos o perderão de vista, e se separarão para fazer busca no local. Esse é o momento perfeito para ir e pegar cada um deles desprevenidamente, de forma silenciosa. Você tem de saber se adequar à mecânica fluida de jogo e usá-la ao seu favor. Os inimigos também sabem a hora certa de atacá-lo: eles perceberão quando sua munição acabar, e é nessas horas que eles virão todos juntos para cima de você. Se você permanecer muito tempo no mesmo local, eles irão começar a lançar coquetéis molotov, e assim por diante.
A vida de Joel é representada por uma barra de vida no canto da tela. Para se recuperar, há duas formas: Joel pode encontrar comida no cenário, o que enche um pouco de sua vida instantaneamente, ou pode usar kits médicos, que são armazenados e podem ser usados quando bem quiser, apesar de demandarem um pouco de tempo. Você encontra kits médicos pelo cenário e também pode construir mais de forma artesanal, usando trapos e álcool.
Também é preciso mencionar o apoio que o companheiro do personagem dá a Joel. Joel está sempre acompanhado de alguém, e os companheiros dele variam com o tempo. Tess, Bill, Tommy e Henry são personagens que vez ou outra acompanham Joel, mas a principal parceira do texano é Ellie, uma garotinha até então inocente de 14 anos. Joel interage muito bem com os personagens, podem conversar, trocar ideias e até mesmo contar piadas ou debater sobre o cenário à sua volta.
Mas o destaque vai para o comportamento de batalha de seus companheiros. Primeiro, porque o jogo faz com que eles atrapalhem o mínimo possível. Para tanto, quando estiver sendo furtivo, os inimigos nunca irão ver seus companheiros (mesmo que eles saiam correndo na frente deles). Essa medida é interessante pois evita que eles estraguem sua estratégia. Eles sempre seguem Joel e aguardam seu comando, ou seja, a menos que você comece um ataque contra um oponente, eles não vão tomar a iniciativa e atacá-los sem seu comando (útil, por exemplo, se você quiser ignorar os inimigos e apenas deixá-los pra trás). Também não é preciso se preocupar com a vida ou a munição de seus companheiros: eles terão sempre vida e munição infinitas. Só é preciso tirá-los de uma ou outra enrascada, como, por exemplo, quando eles estiverem sendo atacados por estaladores, pois, se um deles morrer, você também morre. De resto, não é preciso se preocupar com eles, pois eles mais ajudam do que atrapalham. Eles sabem se virar sozinhos, e podem até mesmo cuidar de alguns inimigos por você, sem você pedir. É claro que eles não vão fazer tudo sozinho, tirando a sua participação da batalha, mas, se um inimigo correr para cima deles (e eles fazem mesmo isso, não focam apenas em você), eles saberão se virar. Você pode, de fato, contar com eles. Você pode, até mesmo, coordenar ataque furtivos. Por exemplo: quando tiver dois oponentes, Joel pega um e o seu companheiro vai lá pegar o outro ao mesmo tempo.
Há um adendo especial para Ellie. Enquanto os demais companheiros estão sempre armados e prontos para ajudar da melhor maneira possível, seja na parte do "quebra-pau" ou de forma furtiva, Ellie não funciona bem assim. No começo do jogo, ela é só uma garota quase indefesa, e ainda se assusta com os oponentes. Ela não sabe direito como se comportar em situações de perigo e vive se escondendo o tempo todo. É incapaz de se defender sozinha, não sabe usar armas e se limita a, no máximo, jogar tijolos em alguém quando estiver assustada. No entanto, conforme o jogo avança, ela vai aprendendo a se defender e vai melhorando sua atitude e postura. Conforme a história evolui, ela adquire novas armas e habilidades. Aos poucos, a verá crescer e evoluir, e, quando se der conta, ela já estará atirando nos oponentes, pegando-os desprevenidos com a sua faca e tudo isso sem precisarmos nem orientá-la. A evolução da participação de Ellie nos combates é um reflexo interessante da evolução do game.
The Last of Us é um jogo restritamente linear. Não há dois caminhos para onde ir, de forma que o jogador é sempre impelido a ir apenas para frente. No entanto, há alguns cenários que são vastos e permitem alguma exploração. Joel tem alguma liberdade para interagir com o cenário, abrindo gavetas, armários e pegando o que ele achar conveniente. É muito útil explorar o cenário, pois encontrará várias ferramentas, como pedaços de pano, lâminas, álcool e açúcar, necessários para a produção de armas artesanais.
Também é possível encontrar peças pelo cenário. "Peças" nesse jogo significa pequenas tralhas que são usadas para tunar armas e equipamentos. Em bancadas especiais de ferramentas, Joel é capaz de usar as peças acumuladas para fazer novos coldres de arma, ou para aperfeiçoar as armas, colocando uma mira melhor, aumentando a precisão, o coice, o dano ou a velocidade de recarregamento. Você pode tunar a arma que quiser, então sinta-se à vontade para aperfeiçoar as armas que preferir, que gostar mais. Há alguns requisitos que só são tunados quando se obtém um determinado "nível". Joel avança de nível quando encontra uma caixa de ferramentas. Isso impede que ele tenha acesso a todas as habilidades ainda no começo do jogo, e mantém a progressão do jogo mais gradual e evolutiva.
Da mesma forma, Joel também encontra vitamina pelos cenários. As vitaminas servem para tunar seu personagem. Sim, você pode melhorar a resistência de dano de Joel, a sua precisão na mira, o limite de sua vida, a velocidade com que ele pode construir itens e usar kits médicos e até mesmo o alcance de sua escuta especial. Tenha cuidado ao usar as vitaminas para melhorar Joel, já que há um número relativamente limitado de vitaminas no decorrer do jogo, forçando você a optar por aquilo que usará com mais frequência, de acordo com seu estilo próprio de jogo.
Além de munição, peças, vitaminas e ferramentas, o jogador encontra pelo cenário diversos documentos e itens colecionáveis escondidos em cantos ermos. Há um bom número de documentos, diários, revistas e afins que retratam o mundo pós-apocalíptico de maneira interessante, fornecendo um background relacionado aos acontecimentos anteriores à destruição feita pelo fungo. As informações que são passadas são interessantes e dão um clima maior de imersão e realismo para o mundo. Também é possível encontrar os itens colecionáveis do jogo, que são os pingentes de vaga-lume e os gibis de estórias infantis. Encontrar todos esses itens requer muita atenção, pois há diversos pontos escondidos, em cantos, atrás de móveis, ou apenas acessível por um determinado ângulo. Há portas de salas-bônus que são trancadas e só podem ser arrombadas usando facas (tenha sempre uma faca na reserva para esses momentos, para evitar deixar uma sala dessas para trás de bobeira). Como nunca é possível voltar para cenários já vistos do jogo, o jogador tem apenas uma chance para encontrar tudo.
Após fechar o game pela primeira vez, o jogador tem a oportunidade de rejogar o game inteiro mantendo aquilo que já obteve (no que se refere à tunagem de armas e aperfeiçoamento das habilidades de Joel) pelo modo New Game +. Como não é possível tunar todas as armas e aperfeiçoar Joel ao máximo logo na primeira jogatina, devido à carências de peças e de vitaminas, respectivamente, então esse modo é necessário para que possa fazer 100% do jogo.
Porém, caso queira apenas rejogar uma parte em específico, seja para pegar alguma coisa que esqueceu ou mesmo para reviver algum momento, após fechar o jogo, todos os capítulos e sub-capítulos do jogo estarão disponíveis para que você os escolha e jogue. Como também é possível ver o número de itens colecionáveis adquiridos em cada capítulo, você pode saber se esqueceu alguma coisa e voltar só para pegá-lo.
O jogo possui três dificuldades básicas disponíveis desde o início: Easy, Normal e Hard. Após fechar o jogo pela primeira vez, ficará disponível uma dificuldade ainda superior, a Survivor. Nas dificuldades mais difíceis, a munição se torna ainda mais escassa, o dano causado pelos inimigos é ainda mais mortal e o jogo chega a realmente exigir muito mais do jogador.
E nem começamos a falar sobre o modo multiplayer online, que é referenciado no jogo como modo Factions. Há dois modo de jogo disponíveis: Supply Raid e Survivors. Supply Raid consiste em uma disputa frenética, com tempo limitado, entre duas facções de sobreviventes que consistem em quatro indivíduos por vez. A guerra de quatro contra quatro conta ainda com um número limitado de reforços (que são os respawn dos personagens que morrerem). Já o modo Survivors é mais direto, um deathmatch de duas facções em modelo quatro contra quatro, com 7 rounds cada. É possível customizar itens, comprar upgrades e formar armas artesanais durante o combate, e tudo em tempo real, contanto que encontre itens e suprimentos pelo cenário, claro.
O seu personagem é completamente customizável, e o mesmo pode ser dito em relação às suas habilidades e armas. O jogador vai acumulando experiência com tudo o que faz durante as batalhas: atordoar oponentes, executá-los (há uma execução especial que rende ainda mais pontos), curar aliados feridos, enfim, quase tudo o que você faz, ganha-se experiência. Com a experiência, passa-se de nível e desbloqueia novas funções, armas e itens para customizar seus equipamentos e habilidades.
A inovação aqui está no formato de ranking. Ao invés do ranking ser estabelecido da maneira mais comum: contagem de quantos você matou / quantas vezes morreu, scouts de pontuação e afins, há aqui um conjunto de sobreviventes. Durante a batalha, dependendo da sua pontuação, você ganha suprimentos. Também é possível adquirir suprimentos abrindo caixas de suprimentos ou roubando de seus oponentes mortos. Quanto mais suprimentos você adquire durante a batalha, mais sobreviventes decidem entrar em sua equipe. Quanto mais sobreviventes você tem, mais suprimentos precisa adquirir, de modo a manter seu grupo saudável. Conseguir poucos suprimentos fará com que os sobreviventes do seu grupo fiquem com fome, morram, ou pior: acabem fugindo e ficando infectados pelo fungo.
Esse processo possui dois princípios: primeiramente, fazer com o que jogador tenha a necessidade de evolução. Quanto melhor ele for, melhor ainda ele terá de ser dali pra frente, pois as necessidades de suprimentos só evoluem. Em segundo lugar, a ideia é servir como um ranking mundial evolutivo. Há pessoas na internet que já possuem mais de 300 pessoas no acampamento, e o número só aumenta, de forma constante, e exige que a pessoa mantenha uma média de bons desempenhos.
Para motivar ainda mais o modo multiplayer e dar um ar mais "single-player" para o formato, há um novo sistema de missões. O jogo tem como se fosse um modo história durante o Multiplayer, no qual o jogador tem um total de 12 semanas para alcançar o máximo de sobreviventes possível para o agrupamento. Nesse meio-tempo, vão aparecendo missões para o jogador cumprir, com requisitos selecionados pelo próprio jogador, de acordo com seu estilo de jogo, que têm de ser cumpridos. Aparece, por exemplo: "mate X oponentes, faça X execuções especiais, reanime X aliados feriados", e por aí vai. Se você cumprir com os requisitos impostos (possuirá 3 rounds para isso), conseguirá mais sobreviventes para a sua equipe, porém, se não conseguir cumprir a meta, corre o risco de perder membros da equipe (algumas missões mais drásticas podem fazer com que perca 100% de seus sobreviventes). Isso deixa o jogador mais ligado, mais tenso, pois ele sabe que tem metas a cumprir. Escolher sempre o mesmo quesito não é uma boa ideia, pois a quantidade pedida sempre muda. Sendo assim, o melhor mesmo é variar os quesitos, o que pode exigir de você estilos diferentes de jogar. Quando entrar em uma partida com a missão de matar o máximo possível, por exemplo, se comportará de uma maneira. Porém, se escolher a missão de curar o máximo de companheiros possível, o estilo inteiro de jogo pode mudar, e é bom até mesmo mudar suas armas e habilidades para que melhor beneficiem seu objetivo em si. Há configurações pré-definidas para diferentes estilos de jogo, também, caso necessite de ajuda na escolha de equipamentos e habilidades.

Minha análise do jogo

Gráficos
Graficamente, The Last of Us é soberbo. Os cenários esbanjam realismo, e é um trabalho de arte o modo como tudo está em perfeita ordem. Há uma variedade interessante de cenários, contando com cidades inteiras pós-apocalípticas, incluindo bares, danceterias, casas, hotéis, bancos, lojas, shopping-centers, e várias outras localidades. Também há represas, edifícios, centros militares, bosques, florestas, choupanas, montanhas e muito mais localidades que fazem parte do trajeto de Joel e Ellie pelos Estados Unidos da América. Tudo incrivelmente detalhado e passando um clima de desolação e destruição que tornam a imersão do jogador algo indubitável. Não é fácil fazer o jogador se sentir imerso e realmente acreditar em um mundo tão real e ao mesmo tempo tão impressionantemente decadente, e The Last of Us consegue isso com méritos. A animação dos personagens também está muito bem feita, e podemos perceber a emoção dos personagens pela expressão facial com riqueza de detalhes. É um dos gráficos mais bonitos do Playstation 3, entre os jogos mais recentes, e vale a pena mencionar que eles estão trabalhando com um console que já tem seus sete anos de vida. É verdade que o jogo não chega a impressionar graficamente com alguma nova técnica tecnológica, da forma como Metal Gear Solid IV (nas animações), L.A. Noire (no realismo das expressões faciais) ou Far Cry 3 (na beleza e extensão dos cenários em mundo aberto) fizeram, mas ainda assim é algo muito bonito, que usa muito bem todo o poder do console, da forma como foi previamente anunciado. O empenho da Naughty Dog com os gráficos foi máximo.
● Nota pessoal: 5/5 (Empenho Máximo)

Som
The Last of Us soube usar muito bem a parte sonora a seu favor. O jogo, por ser um Action-Adventure, precisa de ritmos frenéticos para ditarem o ritmo dos tiroteios e dos combates. Mas o jogo também possui muitos momentos de clima de tensão, no qual o jogador deve apurar os ouvidos e se atentar a cada som, pois um barulhinho que seja pode estragar tudo. Seja em momentos Stealth, ou pior ainda, quando enfrentamos os malditos estaladores. Nesses momentos, o game sabe passar o clima de tensão muito bem, e  a trilha sonora acompanha o jogo muito bem. Além das trilhas saberem qual o momento certo de cada estilo, os efeitos sonoros também são um show à parte. Quando se entra em um ambiente desconhecido e escuro, o lamento dos infectados e o som habitual dos estaladores pode causar alguns calafrios. Durante os combates contra seres humanos, os gritos de ódio e de formações de estratégia de combate fazem o clima ficar bem mais realista e hostil. Falando nisso, a dublagem do jogo está excelente. Não é só a versão brasileira, e sim de forma geral. Excelente trabalho de dublagem, que conta com as mais impressionantes técnicas para passar realismo (os sons de pessoas distantes ficam bem mais silenciados, e o zumbido do vento pode sibilar durante as falas, por exemplo). Todos os personagens mandaram muito bem, desde os principais até as dublagens dos inimigos mesmo, mas o show maior é da Ellie. Ashley Johnson, a dubladora de Ellie, soube usar de seu repertório de gritos e gemidos para passar a emoção da personagem de forma incontestável. Afinal de contas, Ellie é uma das personagens principais (senão a principal), e se espera dela a maior carga emocional de todo o game. E a dubladora soube passar como ninguém toda a carga emocional. Ficou com uma qualidade impecável. Os efeitos sonoros do jogo também podem ser incluídos nesse espetáculo, um dos melhores trabalhos sonoros em um Action-Adventure de todos os tempos, desde o som da chuva até o som de gritos, tiros e explosões. Empenho máximo por parte da Naughty Dog.
● Nota pessoal: 5/5 (Empenho Máximo)

Jogabilidade
The Last of Us se baseia em uma mistura de estilos de jogo que se misturam e que funcionam bem juntos. O jogo estende um leque de possibilidades ao jogador, que só tem de decidir como prosseguir: de maneira furtiva, de maneira estratégica, na base do quebra-pau ou mesmo sem lutar com ninguém e apenas passando reto. Cabe ao jogador avaliar a situação em que se encontra e definir uma forma de contornar as dificuldades. Tantas possibilidades deixam o jogo com um intrincado e variado sistema de combate, que parece não se focar em nada, ao mesmo tempo em que se mantém satisfatório em todos os quesitos. Nem sempre você tem o direito da escolha: às vezes, o jogo exige que você tome uma iniciativa mais violenta, ou ele praticamente lhe obriga a ser stealth, sob ameaça de uma morte rápida e iminente. Além do mais, os combates são tensos, e podem tomar rumos inesperados. Contra pessoas infectadas, o combate fica tenso, pois realmente um erro qualquer pode levar à morte. Basta um golpe de um estalador ou verme ou um enxame de corredores para que você fique sem reação e seja um alvo fácil para uma morte inevitável. Já quando enfrentamos um grupo de humanos, o clima muda drasticamente, deixando de lado os elementos Survival-Horror para adotar o mais puro Third-Person Shooter. A variedade de armas e o sistema de combate até pode atrair o jogador a sair atirando em tudo e todos, mas ao mesmo tempo o jogo possui uma escassez de munição, o que, por sua vez, incentiva o jogador a poupar munição, sempre que possível, e a improvisar, seja usando métodos furtivos de aproximação, seja usando elementos do cenário para criar armas artesanais e armadilhas (mas procure um local seguro para fazer isso, pois a montagem dos itens acontece em tempo real). Enfim: o jogo mistura elementos de diversos games na concepção de sua jogabilidade, sendo majoritariamente Third-Person Shooter, mas com alguns momentos de Survival-Horror e Stealth-Action, além de breves lances de Platformers (quando temos de interagir com o cenário para avançar) e RPG (quando temos de saber a melhor forma de customizar as armas e o personagem), tudo isso incluso no seu inconfundível estilo Action-Adventure. Uma grata mistura que é curiosamente desfocada, mas que em nenhum momento decepciona o jogador. Empenho máximo da Naughty Dog.
● Nota pessoal: 5/5 (Empenho Máximo)

Longevidade
The Last of Us é um jogo não tão longo, mas ao mesmo tempo não tão curto. Caso o jogador apenas queira seguir em frente com o game, sem se atentar muito à exploração e querendo ser o mais rápido possível, deverá conseguir fechar em algo em torno de 10 horas de jogo. Uma quantia razoável para um Action-Adventure, e que possui uma margem incrivelmente grande, pois o jogo possui muito para se explorar. A busca desenfreada por suprimentos pode ser o motivo primário da maioria dos gamers, que irão querer aproveitar cada pedaço de trapo ou vidro de álcool disponível no cenário para fazer mais itens, kits médicos e armas artesanais, e não pode deixar os itens para trás. Assim como não dá para deixar para trás peças para tunar armas e vitaminas para incrementar Joel. Mas a exploração minuciosa do jogador pode render tipos diferentes de prêmios, como documentos à parte, novos manuais que ensinam a criar novos itens, e itens colecionáveis, como os pingentes de Vaga-Lume e gibis. Coletar esses itens colecionáveis não acrescentam necessariamente em nada ao jogo (a não ser por troféus), mas servem como incentivo para se jogar de novo e de novo apenas para conseguir tudo. Quem se dedicar mesmo a explorar todos os cenários levará de 15 a 20 horas para fechar o game. Após fechar, é possível rejogar os capítulos que preferir, e dessa forma, é possível voltar a um capítulo específico e pegar tudo o que deixou para trás. Também é possível rejogar quantas vezes quiser, pelo modo New Game +, e continuar fazendo upgrades em armas e no Joel. Isso acrescenta bastante à longevidade do game. Fora que ainda há três modos de dificuldade, e mais um modo secreto chamado Survivor, que é liberado após fechar pela primeira vez e representa um verdadeiro desafio. Vale a pena rejogar nas dificuldades mais difíceis apenas pelo desafio elevado. E isso porque nem começamos a falar do multiplayer. O modo multiplayer de The Last of Us é cativante, e incentiva o jogador a passar horas e horas jogando, através de missões especiais, um sistema integrado e inteligente de facções e de sobreviventes, e um sistema de pontuação por mérito que incentiva o jogador a ir sempre cada vez melhor. Ou seja: o jogo oferece muito conteúdo, e motivos de sobra para se querer voltar e jogá-lo novamente, várias e várias vezes, além de um modo multiplayer que prende e vicia. O empenho da Naughty Dog com a longevidade foi máximo.
● Nota pessoal: 5/5 (Empenho Máximo)

Inovação
A mistura de estilos que The Last of Us apresenta não é tanta novidade assim, deve-se dizer. Diversos outros jogos do gênero Action-Adventure trouxeram elementos semelhantes de Stealth-Action e Platformer (até mesmo Tomb Raider não conseguiu se manter afastado dessa premissa), principalmente nos últimos anos. Até dá para dizer que é uma tendência recente do mercado. A Naughty Dog conseguiu muito destaque com o game por sua narrativa envolvente e pelo toque cinematográfico que deu a cada cena, assim como pela imersão causada pela interação realista dos personagens com o mundo do jogo. As grandes novidades do jogo se resumem basicamente ao modo como a trama se desenvolve, e a interação dos personagens, pois é essa a estrela do jogo, a cereja em cima do bolo. O modo como cada diálogo opcional e momento constrói o caráter e ajuda a desenvolver o background dos personagens é uma das poucas coisas dignas realmente de nota do jogo. De resto, dá para mencionar alguns outros aspectos, como a busca inteligente por itens e suprimentos pelo cenário, que incentivam o jogador a querer aproveitar cada bala e cada pedaço de pano que encontrar pelo caminho. Alguns aspectos da jogabilidade também deixaram a mecânica de jogo bem rápida e fluida. O modo como podemos fazer itens artesanais durante o combate é uma das ideias mais interessantes do jogo, no que se refere à jogabilidade. Quanto aos elementos de Survival-Horror, queria que houvesse mais deles, mas eles são bem limitados, se for analisar o game completamente. O game ficaria mais rico se tivesse sido dado um pouco mais de foco ao Survival-Horror, mas o jogo é pluri-gênero demais para se deixar levar para uma só vertente. A Naughty Dogs soube muito bem aproveitar os vários estilos presentes no game de forma divertida, e não forçada. Resumidamente, o aspecto de sobrevivência do jogo e o modo como se desenrola a narrativa são os pontos fortes do jogo, e são os diferenciais de mercado que o jogo impõe, além do modo Multiplayer, que traz algumas novidades interessantes, como o novo sistema de missões e de ranking baseado em agrupamento de sobreviventes. Não são suficientes para dizer que o jogo é o limiar de uma revolução no gênero, mas já é bastante para se convencer de que eles foram além da maioria dos outros games recentes do mesmo estilo. Analisando os pontos fortes e fracos, vemos que o jogo mandou muito bem na inovação, e que o empenho da Naughty Dogs de fazer um jogo diferente dos demais foi excelente.
● Nota pessoal: 4/5 (Empenho Excelente)

Diversão
The Last of Us sabe como envolver o jogador de diversas maneiras. O roteiro do jogo foi muito bem pensado, e cativa o jogador, fazendo-o torcer pelos personagens e o aproxima a eles. Não é difícil se perceber preso pela imersão e realismo do jogo, observando a interação calculada entre os personagens. Porém, mesmo quando acabam as cenas e os diálogos e o jogo lhe permite de fato controlá-los, a magia não se encerra. Mesmo em meio aos tiroteios e cenas de ação, eles continuam surpreendendo com seu realismo. A riqueza das cenas faz com que os momentos de ação acabem ficando em segundo plano, como se fossem apenas uma faceta menor e obrigatória que só está lá para agradar os gamers e não fazer do jogo um filme basicamente. O sistema de combate pode ser rápido e frenético ou irritantemente lento e tenso, cabe a você definir seus gostos, já que o jogo deixa a opção por sua conta. Quando não se está enfrentando inimigos, o jogo fornece amplos cenários exploráveis para se debruçar e fuçar. Na função de um autêntico catador de migalhas, deve-se vasculhar cada canto e pegar qualquer tralha que conseguir encontrar: tudo pode ser aproveitado, seja para fazer armas artesanais, fazer upgrade nas armas ou mesmo apenas para saber mais sobre o mundo pós-apocalíptico do jogo. O sentimento de solidão e de desolação que o jogo passa são bem interessantes, e combinam com o clima de "busca desenfreada pela sobrevivência" que o jogo passa. A escassez de munição e limitações de recursos obrigam o jogador a improvisar, mas logo o jogador se acostuma com o game a passa a ficar familiarizado com as alternativas que o jogo oferece. Depois de metade do jogo, o sentimento de "não ter balas o bastante" começa a ruir, e o jogador já começa a ser exigido em cenas de combate mais frenéticos contra uma quantidade de inimigos cada vez maior e mais fortes. Seja como for, o jogo nunca decepciona, e nunca deixa o jogador na mão. Seja na tensão inicial que o jogo passa (quando nos sentimos indefesos contra a maioria dos oponentes), seja na ação absoluta do final do game (quando já temos armas e munição suficiente para soltar bala para tudo quando é lado sem precisar se preocupar muito), o jogo sempre cumpre o que promete, e entrega um game imersivo, envolvente e divertido. O empenho da Naughty Dog com a diversão nesse jogo foi máximo.
● Nota pessoal: 5/5 (Empenho Máximo)

Soma Final: 29/30 (Excelente)

Em resumo: Toda a expectativa que se criou em cima de The Last of Us, por fim, se mostrou ser frutífero. O game realmente esbanja qualidade em todos os quesitos e merece a pompa que vem recebendo ultimamente da mídia. Uma obra-prima que foi muito bem trabalhada e lapidada pela equipe da Naughty Dog, e que tem potencial para agradar a um grande número de jogadores. O sentimento de imersão e busca pela sobrevivência é algo especial, e poucos jogos nessa geração alcançaram tamanho status nesse quesito. Sem dúvida, um dos melhores jogos de 2013, candidato disparado a Game of the Year. Digno de estar presente na lista dos 10 melhores jogos do console, com certeza, além de ser um dos jogos mais envolventes na seleta lista dos exclusivos da Sony. Super recomendado a todos.


Análises profissionais

A média pela Metacritic para The Last of Us é 95/100.

Detonado em vídeo

Esse é o melhor detonado em vídeo disponível para esse game até o momento. Com excelente qualidade de imagem e de som, ele mostra todo o game, do começo ao fim, sem comentários e ensina como passar por todas as partes da melhor forma possível. Também mostra como coletar todos os itens secretos. Vale a pena conferir:

Parte 1


Parte 2


Parte 3


Parte 4


Parte 5


Parte 6


Parte 7


Parte 8


Parte 9


Parte 10


Parte 11


Parte 12


Parte 13


Parte 14


Parte 15


Parte 16


Parte 17


Parte 18


Parte 19


Parte 20


Parte 21


Parte 22


Parte 23


Parte 24


Parte 25


Parte 26


Parte 27


Parte 28


Parte 29


Parte 30


Parte 31


Parte 32


Parte 33


Parte 34


Parte 35


Parte 36


Parte 37


Parte 38


Parte 39


Parte 40


Parte 41


Parte 42


Parte 43


Parte 44


Parte 45


Parte 46


Parte 47


Parte 48


Parte 49


Parte 50


Parte 51


Parte 52


E aí, o que achou desta análise? Curtiu? Deixe-me seu comentário, ou entre em contato comigo pelo e-mail: adm_melhorfinal@hotmail.com ou pelo twitter: @AdmMelhorFinal.
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